domingo, 15 de maio de 2016
O golpe usou a toga no Brasil
Por Maria Inês Nassif, no site Carta Maior:
A estratégia do golpe institucional, com papel ativo do baixo clero do Legislativo e de instâncias judiciárias (o juiz de primeira instância Sérgio Moro e o Supremo Tribunal Federal), e ação publicitária dos meios de comunicação tradicionais (TV Globo e a chamada grande imprensa) começou a ser desenhada no chamado Escândalo do Mensalão. Um ano antes das eleições presidenciais que dariam mais um mandato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país foi sacudido por revelações de que o PT usara dinheiro de caixa dois de empresas para pagar as dívidas das campanhas das eleições municipais do ano anterior, suas e de partidos aliados. O tesoureiro do partido, Delúbio Soares, era o agente do partido junto a empresários e a uma lavanderia que até então operava com o PSDB de Minas, a agência de publicidade DNA, de Marcos Valério. Delúbio tornou-se réu confesso. Outro dirigente do partido, Sílvio Pereira, foi condenado por receber um Land Rover de presente de um empresário.
Em torno do episódio – crime de captação de caixa dois pelo partido que está no governo e recebimento de presentes em troca de favores – se iniciaria a maior ofensiva institucional contra um partido político jamais ocorrida em períodos democráticos do país. Toda a máquina midiática tradicional foi colocada a serviço de provar – com fatos amplificados, versões ou falsificações – que o governo de Lula estava corroído pela corrupção, que o PT aparelhara a máquina pública para auferir ganhos desonestos para o partido ou para os seus aliados, que o governo corrompera os aliados – ironia das ironias, os “corrompidos”, os partidos da base aliada, eram o PMDB, o PTB, o PP, o PR.... – com mesadas para os parlamentares, destinadas a garantir as maiorias em plenário necessárias para aprovar matérias de interesse do Executivo.
O termo “mensalão” foi criado nessa jogada de marketing, destinada a transformar um escândalo de caixa dois, no qual todos os partidos estavam envolvidos (a lavanderia de Marcos Valério não tinha restrições ideológicas à adesão de qualquer um deles), em um modo peculiar de corrupção do PT, a compra direta do parlamentar, sem que em nenhum momento houvesse sido provado o pagamento regular a deputados e senadores da base aliada. Afinal, o dinheiro da lavanderia de Marcos Valério foi direto para o caixa dois de outros partidos políticos, no período pós-eleições municipais – e o “denunciador” do mensalão, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, chegou a confessar, quando se viu em tribunal, que dinheiro era para pagamento de dívidas de campanha.
Para ser corrupção, todavia, era preciso que se caracterizasse o dinheiro do caixa dois como originário dos cofres públicos. O Ministério Público, então presidido pelo procurador Antônio Fernando de Souza, hoje advogado do deputado tardiamente afastado da presidência da Câmara, Eduardo Cunha, inventaria a ficção de um dinheiro desviado da empresa Visanet pelo diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolatto. A Visanet era uma empresa privada, do grupo internacional Visa, e esse dinheiro foi tratado indevidamente como produto de desvios do Banco do Brasil, estatal, num julgamento na maior instância judiciária do país, que não poderia se dar ao luxo de um erro deste tamanho. Pizzolatto não tinha autonomia para assinar uma única ação de marketing sozinho. A “prova” que Souza apresentaria contra ele, aceita pelo relator Joaquim Barbosa, do STF, foi assinada por outras três pessoas e submetida a um comitê, e depois à diretoria de um banco – a ação publicitária, ao final, fora autorizada por mais de uma dezena de pessoas. Não existia possibilidade de que Pizzolatto tivesse desviado o dinheiro: para isso, teria que ter mais de dez cúmplices, e ainda assim atuaria sobre dinheiro privado, que não era do Banco do Brasil.
O Supremo Tribunal Federal, nas vésperas da eleição de 2014, julgou midiaticamente o caso e perpetrou barbaridades jurídicas nunca antes vistas na história desse país. O relatório do ministro Joaquim Barbosa transformou um crime de captação de caixa dois em desvio de dinheiro público, e jogou as provas de que o dinheiro definitivamente não havia sido desviado do Banco do Brasil para um inquérito paralelo. Por fim, decretou segredo de Justiça. Sequer os advogados de defesa tiveram acesso a elas. Também não tiveram acesso a provas da origem do dinheiro lavado por Marcos Valério: a transferência de fartos recursos do caixa de um empresário interessado em decisões de governo (que não foram tomadas, inclusive por oposição do ministro José Dirceu, condenado sem provas), repassados aos partidos da base aliada. O empresário em questão chegou a aparecer no início do escândalo na mídia e sumiu como um fantasma das páginas dos jornais e dos inquéritos policiais e judiciais.
Com a opinião pública dominada por uma campanha diária de nove anos, o STF legitimou sua decisão de avalizar as conclusões de Barbosa, acatou o estranho instrumento do “domínio do fato” e, a partir disso, a pretexto de ouvir a voz das ruas, aceitou as barbaridades que seriam praticadas pelo Ministério Público e pela justiça de primeira instância na Operação Lava Jato, nos últimos três anos.
O STF transformou um crime de caixa dois em crime de corrupção, de formação de quadrilha, etc. etc. sem provas. Dos réus que foram condenados, alguns cometeram crimes, mas não os que os levaram para a prisão; outros eram inocentes de quaisquer crimes e foram condenados assim mesmo. Poucos foram condenados por crimes que efetivamente cometeram. A Agência DNA foi punida por atuar como lavanderia do PT e dos partidos aliados, mas tardiamente responsabilizada pelo Mensalão do PSDB (que vai deixar todos os implicados soltos até a prescrição do crime, o mesmo que levou o PT e seus aliados à cadeia). O deputado José Genoíno, então presidente do PT, foi preso por um empréstimo efetivamente feito pelo partido e quitado no prazo estipulado em contrato. Dirceu foi eleito o vilão nacional e encarcerado – e de novo encarcerado no Lava Jato – sem nenhuma prova contra si. E Pizzolatto, depois de uma fuga sensacional, amarga cadeia porque, junto com um comitê de dezenas de pessoas, autorizou uma campanha publicitária do Banco do Brasil paga pela Visa Internacional. Alguns membros do mesmo comitê respondem a um processo na primeira instância que está esquecido na gaveta de um juiz da capital federal.
Desde então, o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal se constituem em peças fundamentais nas articulações contra os governos petistas, iniciadas em 2005 e que tiveram desfecho no golpe institucional deste 2016. Eduardo Cunha e Michel Temer não existiriam sem a cumplicidade das duas instituições e a inexplicável ingenuidade do PT: o mesmo partido que em determinado momento se dispôs a jogar com as armas da política tradicional, indo à cata de dinheiro de caixa dois das empresas para financiar campanhas eleitorais, não entendeu a natureza da elite que o financiava, nem a impossibilidade de acordo com a política tradicional e com instituições de vocação conservadora que mantiveram seu perfil conservador e corporativo, apesar de seus membros terem sido majoritariamente escolhidos pelos presidentes petistas. O PT não entendeu que jogava as suas fichas, a nível institucional, numa política de conciliação de classes num quadro onde as próprias políticas do governo davam as bases para uma acirrada luta de classes, que se tornou explícita quando o golpe começou a mostrar sua cara. Essa foi uma contradição inerente aos governos petistas.
Na campanha eleitoral de 2014, a presidenta Dilma Rousseff venceu no segundo turno porque rapidamente as forças de esquerda se articularam em torno dela, em reação à onda de comoção criada pela direita, que se utilizou do clima proporcionado pelo julgamento político levado a termo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) poucos meses antes do início do processo eleitoral, no chamado caso do mensalão; e pela entrada em cena do juiz de primeira instância Sérgio Moro que, aproveitando-se das licenças jurídicas a que se permitiu o STF em 2013, fez o seu próprio tribunal político, fechando o cerco ao PT por um esquema de corrupção na Petrobras que – basta ler com atenção as delações premiadas – era enraizado na empresa e mantinha em diretorias protegidos de partidos que estavam aliados aos governos petistas depois de 2002, mas igualmente aos governos anteriores, do PSDB e do PMDB e do governo Collor.
Já são 11 anos de massacre, com armações com grande similaridade. O Ministério Público encontra um escândalo qualquer e começa a investigar, considerando provas basicamente de um lado. Sem consistência para pedir um inquérito, vaza os dados para um órgão de imprensa, que os publica como grande escândalo, desconhecendo o fato de que as provas não existem. Imediatamente, a matéria do jornal, baseada em vazamentos do próprio MPF, vira o indício que o MPF usa para pedir ao juiz – a Moro, ou ao STF, ou a algum outro – para abrir o inquérito. No caso de Moro, seguem-se prisões sem base legal e coações à delação premiada. Chovem no Youtube reproduções de interrogatórios presididos pelo próprio juiz Moro onde ele deixa claro ao interrogado - normalmente um velho com problemas de saúde - que será libertado apenas se delatar; e de advogados protestando contra ele por não considerar sequer uma prova apresentada pela defesa antes de condenar um implicado. Nesses vídeos, é claro que Moro está investido da intenção de condenar antes de ouvir a defesa. Para ele, não existem inocentes em um campo político. No outro campo político, suas intenções são dóceis. O justiceiro é bastante permissivo com o campo político da direita.
Nada justifica que um juiz de um tribunal de exceção sobreviva numa democracia com amplos poderes, acima daqueles que a Constituição lhe confere, sem a aquiescência da maior instância judiciária. Moro existe e faz o que quer porque o sistema jurídico está contaminado pelo partidarismo. Moro não existiria sem um Barbosa que o precedesse. Moro não existiria sem o ministro Gilmar Mendes, que impunemente transformou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em palanques contra os governos do PT. Não existiria sem o ministro Dias Toffoli, que se tornou moleque de recados de Mendes; sem a tibieza das duas ministras mulheres; sem o conservadorismo ideológico de Teori Zavascki (que contamina o seu discernimento jurídico); sem a falsa objetividade jurídica de Celso Melo; sem a frouxidão de Edson Fachin; sem a excessiva timidez de Ricardo Lewandowisk. A Justiça não evitou o golpe porque é parte do golpe. O Ministério Público não reagiu ao golpe porque era um dos conspiradores.
sábado, 14 de maio de 2016
Impeachment vai agravar a crise no Brasil, diz New York Times
Em editorial nesta sexta-feira (13) sob o título “Agravando a crise política”, o jornal The New York Times afirma que a presidenta Dilma Rousseff está certa ao questionar os motivos e a autoridade moral dos políticos que a afastaram do cargo, acrescentando que “não há nenhuma evidência de que ela abusou de seu poder para obter ganhos pessoais, ao passo que muitos dos políticos que articularam seu afastamento estão envolvidos num enorme esquema de propina e em outros escândalos”.
O jornal menciona que na semana passada o Supremo Tribunal Federal afastou o presidente da Câmara,Eduardo Cunha, que liderou a campanha para depor Dilma, e assinalou que o próprio Michel Temer pode ficar inelegível por oito anos por violar limites de financiamento de campanhas. O New York Times assinala que Dilma foi afastada sob a acusação de usar manobras orçamentárias que outros presidentes utilizaram no passado sem ter despertado comoção: “Muitos suspeitam, porém, que o esforço para remover Dilma se deve mais à sua decisão de permitir que os procuradores prosseguissem investigando o esquema de corrupção na Petrobras, a companhia estatal de petróleo. O escândalo atingiu mais de 40 políticos”.
O jornal sustenta que, caso Dilma seja afastada definitivamente, que “os brasileiros deveriam ter o direito de eleger um novo líder imediatamente”. E conclui dizendo que Dilma está pagando um preço desproporcionalmente elevado por erros administrativos, enquanto muitos de seus adversários são acusados de crimes muito mais evidentes.
Em seu editorial, o jornal britânico The Guardian disse que todo “o sistema político deveria ir a julgamento, e não apenas uma mulher”. Apesar de destacar que Dilma cometeu erros, o Guardian classificou o impeachment como uma prova dos problemas estruturais no sistema político brasileiro, que é “disfuncional ao ponto de tornar a corrupção virtualmente inevitável e obstruir a boa governança”: “Não foi apenas a carreira de Dilma que caiu, mas a democracia brasileira como um todo”. O jornal disse ainda que “o preconceito contra uma liderança feminina e o rancor de uma direita que nunca aceitou totalmente a ascensão do PT” tiveram papel importante nessa queda.
O Financial Times defende a realização de novas eleições e uma reforma política com a melhor saída para o país. O jornal britânico diz ainda que Michel Temer precisa permitir que a Operação Lava Jato prossiga, mesmo que isso possa deixar o presidente interino ainda “mais exposto”.
De acordo com o espanhol El País, “a destituição de Dilma Rousseff não soluciona nada e aumenta a instabilidade do país”.
O Le Monde diz que Brasil enfrenta uma crise de confiança e classifica o afastamento de Dilma como “resultado de manobras de uma classe política altamente desacreditada”.
Segundo o La Nación, da Argentina, o impeachment foi uma “demonstração da face anacrônica de um país de aspirações modernas”.
O jornal The Independent afirma que as chances de que o Brasil se veja livre da corrupção se perderam no processo de impeachment da presidenta e assinala que o Poder Judiciário se mostrou incapaz de manter padrões elevados e vem cometendo erros aparentemente provocados por motivações partidárias.
O Diário de Notícias, de Portugal, traz uma entrevista com o ator e comediante Gregório Duvivier: “Me apavora o Temer. Porque, além de corrupto, é conservador e autoritário”.
O The Wall Street Journal afirmou que a deposição de Dilma não permite celebrações dos vitoriosos, porque dificilmente trará alívio na difícil situação econômica e política, ressaltando que Michel Temer não é menos impopular que a presidenta afastada.
Temer forneceu informações à inteligência dos EUA, segundo WikiLeaks
O presidente interino do Brasil, Michel Temer, foi um informante da inteligência e Defesa dos Estados Unidos há dez anos, segundo informou o site WikiLeaks nesta sexta-feira.
Segundo a organização, nos meses de janeiro e junho de 2006, o presidente do PMDB enviou documentos ao Conselho de Segurança Nacional dos EUA e ao Comando do Sul, em Miami, descrevendo sua visão sobre a unidade do partido e as eleições que seriam realizadas naquele ano.
"Novo presidente brasileiro, #Temer, foi um informante da embaixada para a inteligência e as Forças Armadas dos EUA", disse o WikiLeaks através do seu Twitter.
Temer, escolhido como vice-presidente de Dilma Rousseff nas eleições de 2011 e 2014, assumiu a presidência do Brasil na última quinta-feira, após o afastamento da chefe de Estado legitimamente eleita, contra a qual foi instaurado um processo de impeachment.
Sputniknews
Serviços secretos dos EUA informaram sobre eventual golpe palaciano na Venezuela
A mudança de regime na Venezuela pode vir a ocorrer em resultado de um “golpe palaciano”, na opinião de analistas dos serviços secretos dos EUA.
A agência de notícias americana Associated Press publicou a opinião de analistas dos serviços secretos norte-americanos, segundo os quais o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, poderá ser afastado do cargo e o cenário mais provável será uma revolução palaciana.
No mesmo tempo, os analistas não veem por enquanto sinais diretos desse processo mas consideram que já no próximo ano pode ocorrer uma mudança do regime por meio de votação.
Uma enquete da agência mostrou que as autoridades venezuelanas tentam adiar o referendo do afastamento. Mas um bloqueio do referendo está fora de questão, esclarece a Associated Press.
No início de maio, a oposição da Venezuela enviou 1,85 milhões de assinaturas ao Conselho Eleitoral Nacional para realizar um referendo sobre o afastamento de Maduro.
O próprio Maduro declarou que não vai abandonar o seu cargo antes do fim do mandato. Ele condenou a oposição por conspiração com o objetivo de destruir o patrimônio de Chávez.
Maduro tornou-se o presidente em 2013, depois da morte de Hugo Chávez. O seu mandato presidencial expira em 2019. A Venezuela se encontra em uma grave crise econômica, com uma enorme inflação, falta de produtos e remédios, intermitências no abastecimento elétrico.
Em janeiro passado, o governo venezuelano decretou o estado de emergência económica.
Sputniknews
Siria captura camión que transportaba desde Turquía ayuda médica a Daesh
Agentes de la Inteligencia siria capturaron un camión procedente de Turquía cargado de suministros paramédicos cerca de la provincia siria de Alepo, y que tenía como destino la ciudad iraquí de Mosul, controlada por Daesh.
La cadena de televisión rusa RT publicó el viernes un vídeo en el que Husein al-Omar, un coronel de la Dirección de Inteligencia Militar de Siria, explica que el camión transportaba desde Turquía unas 25 toneladas de medicinas y suministros paramédicos, incluidas máquinas de diálisis, para el grupo terrorista EIIL (Daesh, en árabe) en Mosul.
Según el militar sirio, el camión, con matrícula siria, había entrado en el país árabe a través del paso fronterizo sirio-turco de Bab Al-Hawa (noroeste de Siria) y tenía planeado llegar a Mosul (capital de facto del EIIL en Irak), pasando por las ciudades de Afrin, Azaz y Manbij, en la provincia de Alepo.
Asimismo agregó que el vehículo, cuya carga se realizó en Turquía, era conducido por dos miembros del grupo terrorista Frente Al-Nusra (rama local de Al-Qaeda en Siria), que habían recibido el cargamento en el paso fronterizo de Bab al-Hawa. "Todo esto demuestra que Turquía está apoyando a los terroristas, especialmente a Daesh, con los medicamentos y todos los suministros, incluso con armas", dijo.
No son pocos informes y documentos los que revelan el apoyo que brinda Turquía a los grupos terroristas, incluido el EIIL, activos en Irak y Siria.
El viernes, la agencia rusa de noticias Sputnik informó, citando a una fuente hospitalaria turca, que cuatro miembros del grupo terrorista Daesh habían sido tratados en secreto en un hospital de la ciudad sureña turca de Gaziantep, cerca de la frontera con Siria.
La fuente, que hablaba bajo condición de anonimato, dijo que los cuatro terroristas heridos fueron ingresados en el Hospital regional de Ersin Arslan el pasado 5 de mayo, y explicó que "presentaban heridas de bala" y su vida no corría riesgo.
Hay informes que revelan que Turquía entrena de forma activa y arma a los terroristas que operan en Siria, además de facilitar su paso seguro al país árabe. A finales del 2015, Rusia reveló con pruebas que el Gobierno turco está involucrado en el comercio ilegal de petróleo con el grupo terrorista Daesh, hecho que Ankara desmintió rotundamente.
ftm/anz/msf/HispanTv
Turquía y Arabia Saudí, evidencias del plan israelí en Oriente Medio
La historia contemporánea nos demostrado que, en la política, no hay enemigos ni amigos eternos. Al menos así lo ratifican los acontecimientos que han tenido lugar en la región de Oriente Medio y los lazos entre Arabia Saudí y Turquía con Israel.
De hecho, el desarrollo de los sucesos en Oriente Medio, la inestabilidad imperante en la región y diversos factores más han motivado que los gobiernos no tengan una política exterior estable en sus relaciones con otros países. Antes de que Ankara diera pasos para restablecer sus vínculos con el régimen israelí, Arabia Saudí había estado haciendo sus jugadas de forma clandestina con el mismo fin y así favorecer sus políticas en la región.
En este artículo pretendemos estudiar los antecedentes de las relaciones entre Ankara y Tel Aviv, además de analizar el porqué de su restablecimiento.
Lazos Ankara-Tel Aviv
Turquía fue el primer país musulmán que reconoció al régimen de Israel, el 28 de marzo de 1949. Ambos consideraban de alta prioridad sus lazos militares, estratégicos y diplomáticos. En la década de los 90, se consideraban aliados muy cercanos, de forma que relazaban incluso maniobras militares conjuntas.
De acuerdo con un informe publicado por el Nueva York Times, en 1999, las relaciones bilaterales entre ambos se fortalecieron tanto que las fuerzas aéreas israelíes realizaban maniobras en espacio aéreo turco y los israelíes se encargaban de modernizar los aviones de combate turcos.
Tensiones entre Israel y Turquía
Con la llegada al poder del Partido de Justicia y Desarrollo (AKP, por sus siglas en turco), en 2003, la política exterior turca se basó en cero conflictos con los vecinos, de acuerdo con la doctrina de Ahmet Davout Oglu, que pretendía que su país desempeñara el rol de líder en Oriente Medio. No obstante, esta nueva doctrina traería consecuencias, es decir, teniendo en cuenta el mapa político de la región, cualquier amistad o alianza con un país, podría provocar la enemistad con otros.
Sin embargo, las autoridades turcas ignorando esa realidad llevaron adelante el plan de reconciliación con los países de la región. En este contexto, el partido de Erdogan, cuya doctrina se fundamenta en el Islam, priorizó el apoyo a los grupos islámicos de la región, así como al Movimiento de Resistencia Islámico de Palestina, Hamas, una decisión que provocó una respuesta de los gobiernos reaccionarios de la región, además de Israel.
A raíz de la seria y profunda enemistad entre Hamas y el régimen israelí, además de que Ankara quería ser el líder de la región para revivir el imperio Otomano, los líderes de Ankara dejaron de mediar entre Israel y Hamas y apoyaron explícitamente al movimiento islámico. Este fue el detonante de las tensiones entre Ankara y Tel Aviv, cuyo clímax fue el ataque de comandos israelíes al Mavi Marmara, un barco turco cargado de activistas propalestinos que se dirigía a Gaza en 2010 y que dejó diez muertos turcos. Ante esa situación, Ankara exigió en varias oportunidades una disculpa por parte de los israelíes, pero esto nunca se produjo. Así que se produjo un absoluto estancamiento de los lazos bilaterales.
Restablecimiento de lazos
En la situación en que se encuentra la región de Oriente Medio, es decir, la crisis entre Turquía y Rusia, los conflictos en Siria e Irak, además de la interacción e influencia de Irán en la región y el mundo tras el acuerdo nuclear con el Grupo 5+1, Ankara no ve otra alternativa que restablecer lazos con Israel.
En otras palabras, ambos disponen de inquietudes comunes, retos de seguridad e intereses mutuos, factores que los impulsan a acercarse de nuevo. No obstante, en base a los parámetros existentes que los estudiaremos a continuación, parece ser Ankara quien mayor interés en este restablecimiento.
De hecho, hoy, Turquía está involucrada en serios conflictos regionales que han dificultado su situación, tanto a nivel interno como externo. Desde el inicio de la crisis en Siria, Ankara apostó por una política hostil hacia Damasco y abogó por la eliminación del presidente Bashar Al Asad. Así que para cumplir con ese objetivo no escatimó apoyo financiero, militar y logístico a los opositores armados. Tal política le conllevó graves consecuencias, y ensombreció su imagen de país pacífico ante la comunidad internacional. Una de las más importante consecuencias es la tensión con Moscú, que empezó con el derribo del avión de combate ruso, el pasado 24 de noviembre de 2015. Posteriormente a ese acontecimiento, Rusia aplicó medidas de represalia y cortó todos los lazos económicos y políticos con Turquía. Así que la economía del país se vio seriamente afectada, al igual que su sector energético debido al cese del abastecimiento de gas ruso.
En tales circunstancias, con el objetivo de reducir los efectos directos e indirectos de las sanciones rusas y propiciar un cambio en su política exterior, los líderes turcos optaron por revivir los lazos con Tel Aviv. Dado que los territorios de Palestina ocupados por Israel cuentan con enormes recursos gasíferos en el Mar Mediterráneo. Unos 990 mil millones de metros cúbicos con los que Turquía podría eludir las sanciones rusas y recibir el gas que necesita.
Por otra parte, el régimen israelí, que comparte la política de Turquía en las ecuaciones regionales, considera beneficioso este restablecimiento. Por lo tanto, anunció su disposición de pagar 20 millones de dólares como indemnización a las familias de las víctimas del Mavi Marmara. Además, dieron luz verde a la solicitud de Turquía de que los gazatíes tuvieran acceso a aguas internacionales y se eliminaran los obstáculos para el envío de ayudas internacionales al enclave costero.
Plan sionista para Oriente Medio
Se puede señalar que, de momento, la escalada de las tensiones, conflictos, guerras y la inseguridad solo han beneficiado el cumplimiento de la agenda del régimen sionista de Israel para Oriente Medio, ya que tales acontecimientos han motivado el acercamiento de ciertos enemigos, como es el caso de Arabia Saudí y Turquía.
En base a estos cambios ocurridos en la región, ahora Israel puede promover sus proyectos hegemónicos y eliminar la Resistencia en Oriente Medio, que conforman por Irán, El Líbano y Siria. De hecho, mediante su acercamiento a Turquía pretende presionar al Gobierno sirio, y a través de sus lazos con los saudíes busca afectar a Irán y El Líbano. De materializarse sus objetivos, Tel Aviv lograría impulsar el plan de la división de Oriente Medio, conocido como un proyecto sionista-estadounidense, lo que resultaría en la formación de países pequeños para que no puedan desempeñar un rol significativo en la región.
Uribe solicita en EEUU una intervención militar en Venezuela
El expresidente de Colombia solicitó en EE.UU. que un ejército internacional arremeta contra la soberanía e independencia de Venezuela y urgió a su Ejército a que proteja a la oposición.
"Su Ejército y sus Fuerzas Armadas tienen que proteger a la oposición, o pensar qué país democrático es capaz de poner sus Fuerzas Armadas democráticas al servicio y a la protección de la oposición de Venezuela. Cuidado, esa tiranía no escucha retórica. A esa tiranía hay que enfrentarla", indicó el viernes el exjefe colombiano de Estado Álvaro Uribe.
En el marco de la Cumbre Concordia de Líderes Iberoamericanos, una reunión en la que participan portavoces de la extrema derecha nacional e internacional −realizada en la sede de Miami (EE.UU.)−, en la que también participó Lilian Tintori, esposa del líder opositor venezolano Leopoldo López, Uribe dijo que Venezuela está en presencia de lo que calificó de “una tiranía sin inteligencia”.
Asimismo, aludió a los apoyos que brinda al sector derechista de Venezuela el secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, quien asistió también a la citada reunión, mientras consideró que “Almagro es una luz para ayudar al pueblo de Venezuela”.
La palabras de Uribe fueron rechazadas la misma jornada del viernes por la canciller de Venezuela, Delcy Rodríguez, quien aseveró que su Estado tomará "acciones internacionales contra este personaje oscuro (Uribe) del que sabemos de sus orígenes paramilitares y de otros delitos trasnacionales, lo vamos a denunciar, lo vamos a confrontar porque nosotros no vamos a permitir bajo ningún concepto la intervención en Venezuela".
De acuerdo con Rodríguez, "el Estado de Excepción fue dictado (por el presidente Nicolás Maduro) para proteger al país de esas pretensiones intervencionistas", que planean "vulnerar la soberanía de Venezuela y el Estado de Emergencia Económica para contener el golpe de Estado" que se orquesta en el país.
Le dijimos en su cara, prosiguió la ministra venezolana de Exteriores, que no podía estar por encima de los Estados soberanos. “Usted no manda sobre los gobiernos soberanos y libres. Él forma parte de la nómina de Washington", condenó.
bhr/anz/msf/HispanTv
Maduro anuncia nuevo decreto de estado de excepción y emergencia económica
El mandatario venezolano ha denunciado la amenaza de una intervención financiera y militar por parte de fuerzas extranjeras.
El presidente venezolano, Nicolás Maduro, anunció este viernes 13 de mayo en la emisora nacional de radio y televisión un nuevo decreto de estado de excepción y emergencia económica, según lo anuncia el portal Noticiaaldía. Con esta medida, el presidente señala que se pretende hacer frente a la "agresión externa".
Además denunció que el expresidente colombiano, Álvaro Uribe, ha solicitado desde Estados Unidos la intervención de Ejércitos extranjeros en Venezuela, por lo que la medida incluirá la posibilidad de enfrentar estas amenazas.
Maduro ha precisado que desde la vigencia del estado de excepción se han aplicado 21 decretos constitucionales "para proteger al pueblo y la estabilidad socioeconómica del país".
Recordó que la amenaza externa sigue vigente, sobre todo teniendo en cuenta los recientes acontecimientos ocurridos en Brasil.
"Ya hemos visto la imagen que ayer se vio, la oligarquía firmando y quitándole el poder al pueblo", se refirió al cambio de mando en Brasil.
Actualidad RT
Desmonte de la integración regional
Emir Sader
ALAI AMLATINA - El ministro de economía de Argentina, Alfonso Prat-Gay, ha declarado que los cambios políticos en Brasil son “una buena oportunidad para refundar el Mercosur”. La coincidencia de gobiernos que plantean el restablecimiento del modelo neoliberal, con su política de apertura de los mercados y reacercamiento con los países del Norte, especialmente con los EEUU, posibilitaron promover el desmonte de los procesos de integración regional.
Esos procesos han tenido un momento decisivo cuando EEUU y Brasil estaban listos para concluir el proyecto del ALCA, que transformaría al continente en una inmensa área de libre comercio, comandada por la economía norteamericana. Sería la extensión hacia toda la región de lo que se estaba poniendo en práctica en México. (Los balances de los 20 años del Tratado entre EEUU, Canadá y México han revelado ser altamente negativos para este último. Era lo que nos aguardaba.)
La victoria de Lula en 2002 ha permitido que Brasil rompiera con ese proyecto, bajo la dirección de Celso Amorim en la política externa brasileña y abriera el camino hacia el fortalecimiento de los procesos de integración existentes y hacia la construcción de otros espacios de integración. Fue así que del fortalecimiento del Mercosur se avanzó hacia la fundación de Unasur, con su Consejo Suramericano de Defensa, el Banco del Sur, entre otros organismos, y que desembocara en la Celac, que cerraba definitivamente con la vigencia de la Doctrina Monroe, para que América Latina y el Caribe tuvieran finalmente un organismo propio de integración, separada de la OEA, donde la presencia de EEUU y Canadá descaracterizaban esa integración.
Nunca EEUU habían estado tan aislados en el continente como han estado hasta aquí en este siglo. Al mismo tiempo, América Latina había cambiado su inserción internacional, especialmente los países que han empezado a salir del modelo neoliberal. La prioridad de esos países pasó a ser la integración regional y el intercambio Sur-Sur y no los Tratados de Libre Comercio con los EEUU.
Esa nueva inserción ha permitido una integración más grande entre nuestras economías, a la vez que nos permitió resistir en mejores condiciones a los impactos de la prolongada y profunda crisis recesiva internacional.
El intercambio regional, la intensificación del comercio con China y la extensión y profundización del mercado interno de consumo popular fueron claves en esa resistencia a la recesión, que en otras condiciones nos habría llevado a la peor recesión de nuestra historia.
El cambio de gobierno en Argentina y ahora en Brasil es la oportunidad tan aguardada por los EEUU para la ruptura de su aislamiento en América Latina. El viaje de Obama a Argentina y su identificación con el proyecto neoliberal del gobierno Macri revela los objetivos centrales de EEUU en la región. El silencio cómplice de Obama respecto al golpe en Brasil confirma el regocijo de Washington con esa posibilidad.
La declaración del ministro de economía de Argentina coincide con las posiciones del nuevo ministro de relaciones exteriores de Brasil, conocido por sus citicas a la política exterior brasileña. Su obsesión con la entrega del petróleo brasileño a las grandes empresas petrolíferas internacionales ha llevado a José Serra, candidato a la presidencia de Brasil en el 2010, a realizar una reunión que debiera haber sido clandestina, con representantes de las más grandes empresas internacionales de petróleo, en Foz de Iguazú, prometiendo entregarles el proyecto del Pre-sal.
¿Qué significaría “refundar el Mercosur”? La derecha siempre ha querido, sin terminar con el Mercosur, abrir espacios para acuerdos bilaterales de libre comercio con los EEUU. Este es el objetivo central de esa “refundación”. Por ahora, se anuncia el rebajamiento del perfil del Mercosur, con la agilización de los acuerdos con la Unión Europea y de intercambios con la Alianza para el Pacifico. Pero la firma de acuerdos bilaterales con EEUU es el objetivo mayor de esa llamada refundación.
Sería el comienzo del desmonte de los procesos de integración regional, debilitando al Mercosur, a Unasur y a Celac. La estrecha alianza entre los gobiernos de Brasil y de Argentina, establecida por Lula y por Néstor Kirchner, y continuada por Dilma y por Cristina, fue el eje a partir del cual esos procesos de integración se han desarrollado. Ahora se trataría de, a partir de la reversión de los gobiernos de esos países, revertir ese proceso, promoviendo un nuevo proceso de norteamericanización de la región, con un cerco todavía más grande a países como Venezuela, Bolivia y Ecuador.
Esa reversión conservadora depende de la fuerza que pueda tener el gobierno golpista brasileño. Por el momento, parece no disponer fuerza suficiente para un período largo y grandes trasformaciones. De ahí la importancia todavía más grande de la lucha de resistencia de los brasileños en la conquista de nuevas elecciones, que deslegitimen definitivamente el gobierno de Temer y permitan al pueblo brasileño volver a definir su destino democráticamente, incluida la inserción internacional de Brasil, entre la integración regional y el intercambio Sur-Sur o el viejo destino de “patio trasero” del Imperio.
- Emir Sader, sociólogo y científico político brasileño, es coordinador del Laboratorio de Políticas Públicas de la Universidad Estadual de Rio de Janeiro (UERJ).
Brasil: Declaración del MST sobre el Impedimento de la presidenta Dilma al pueblo brasilero
El Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST) manifiesta su repudio e inconformismo a la decisión del Senado federal de admitir el proceso de Impedimento contra la Presidenta Dilma Roussef y apartarla del cargo temporalmente. Tenemos la certeza, como está claro en el proceso, de que la Presidenta no cometió ningún crime. Y si los crímenes fueron tales, afectan también al vice que ahora asume, así como al senador Anastasia, ex-gobernador de Minas. Por lo tanto, se trata de un golpe institucional.
Un golpe institucional y anti-democrático, que no reconoce la voluntad de 54 millones de electores y que fue orquestado por los sectores más conservadores de la sociedad, en especial el empresariado neoliberal y subordinado a los intereses de las empresas estadounidenses. Un golpe sustentado por una campaña permanente de los grandes medios de comunicación – en especial, la Red Globo –, y por la acción selectiva y mediática de sectores del poder judicial.
El golpe refrendado por el Senado no sólo desconoce la opinión de la población sobre quién debe ser el Jefe de Estado, sino que como fue anunciado por el Vice usurpador, pretende aplicar un programa recesivo, neoliberal, que le traen el triste recuerdo al pueblo brasilero de los tiempos de los gobiernos de Collor-FHC.
Este será antipopular y un retroceso social que varias veces fue rechazado por la mayoría de la población en las urnas. Incapaces de convivir con la democracia y de someterse a la voluntad popular, las élites apartan a la Presidenta sin ninguna comprobación de crimen, tan solo para que su proyecto de cortes sociales, desempleo y privatización sea llevado a cabo.
El "Puente hacia la recesión" del golpista Michel Temer sólo llevará a la acentuación de la crisis social y económica y ampliará la inestabilidad política del país.
El nuevo gobierno que se anuncia, por su historia, tampoco representa ruptura con los métodos corruptos, que todos denunciamos en las calles.
Esperamos que el Senado se redima, cuando tuviera que juzgar el mérito. Y si así no procede, las fuerzas partidarias democráticas y contrarias al Golpe deben recurrir al Supremo Tribunal Federal.
La sociedad brasilera sabe que estamos enfrentando una crisis económica, política, social y ambiental. Esta crisis no se supera con golpes. Necesita un amplio debate en la sociedad que aglutine a la mayor parte de las fuerzas populares y sociales, para lograr construir un nuevo proyecto de país que enfrente las crisis.
En relación a la crisis política instaurada, defendemos como los demás movimientos populares, que solamente una reforma política profunda, que devuelva al pueblo el derecho de escoger a sus representantes legítimos, puede ser una verdadera salida. El actual congreso no tiene las condiciones ni las quiere.
De ahí la necesidad del senado de aprobar la realización de un plebiscito que dé al pueblo el derecho de convocar a una asamblea constituyente, una reforma política que realice elecciones generales en condiciones democráticas y no viciadas por el poder económico y oligárquico, como ocurre ahora.
El MST permanecerá movilizado en defensa de la democracia y de los derechos sociales, al lado del Frente Brasil Popular y de los miles de trabajadores y trabajadoras que no aceptaron el golpe. Seguiremos siempre en lucha, contra el latifundio y el agronegocio, por la reforma agraria popular y por el derecho constitucional de todos los trabajadores rurales de tener tierra y vida digna en el campo.
No al golpe! Fuera Temer!
Coordinación Nacional del MST
Brasilia, 12 de mayo 2016
quinta-feira, 12 de maio de 2016
'Governo' Temer = instabilidade política, insegurança jurídica, retrocesso social e isolamento internacional
Diante desse tempo obscuro, taciturno e soturno resta a resistência política nas ruas e nos espaços públicos e nos espaços institucionais.
Francisco Fonseca (professor de ciência política da FGV/Eaesp e PUC/SP)
Diferentemente do que o massacre midiático faz crer, a consolidação do golpe de Estado, que se processa desde a eleição democrática de Dilma Rousseff, levará o país a caminhos impensáveis até pouco tempo: à brutal instabilidade política, cuja “governabilidade” só poderá se dar pela ilegalidade, ilegitimidade e violência; à insegurança jurídica, tendo em vista o desrespeito cabal à Constituição e ao facciosismo das instituições que deveriam zelar pela ordem democrática; ao retrocesso social, com a tentativa de diminuição vigorosa dos direitos sociais e trabalhistas; e ao isolamento internacional, como já se verifica nos pronunciamentos da comunidade internacional, com a notória exceção dos EUA.
A invocação do “Deus-Mercado” como a “instituição” que se estabilizará e voltará a crescer e a empregar com o afastamento da presidente eleita é claramente uma manobra que não se sustenta. Antes de tudo porque por “mercado” se entende um pequeno grupo de grandes capitalistas nacionais e estrangeiros e sobretudo rentistas. Tudo o mais, como os micro, pequenos e médios empreendedores é liminarmente descartado. Igualmente, os trabalhadores são vistos apenas como “custo Brasil”, cujos direitos sociais e trabalhistas devem ser radicalmente diminuídos. No capitalismo, o mercado – em qualquer definição que se dê – necessita de estabilidade política e segurança jurídica: tudo o que a plutocracia golpista e reacionária (PMDB, PSDB, DEM, FIESP e quejandos) não pode dar.
Parte das classes médias que saiu às ruas solicitando o impeachment rapidamente se arrependerá. Aos trabalhadores organizados não resta qualquer dúvida quanto à ameaça real que os Planos “Uma Ponte para o Futuro” e “Travessia Social” representam. Basta verificar dois levantamentos do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) sobre as ameaças reais existentes nesses dois planos advindos do PMDB/PSDB/FIESP, parte dos quais tramita no Congresso.
O isolamento internacional, cujo papel da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Corte Interamericana dos Direitos Humanos, que no dia 09/05 estiveram com a presidente Dilma, expressando solidariedade, e com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, alertando para os efeitos do golpe, sinalizam a preocupação da comunidade internacional para com os acontecimentos antidemocráticos que vêm se sucedendo na vida político/institucional brasileira.
Não bastassem esses aspectos, Michel Temer não tem mais do que 2% de intenções de votos, assim como pesquisas de opinião apontam claramente descontentamento com o golpe da maior parte dos brasileiros, fato omitido pela grande mídia.
Por fim, como as instituições estão sob extrema suspeição: Operação LavaJato, Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal, Tribunal Superior Eleitoral, Tribunal de Contas, Congresso Nacional, partidos políticos, não será por meio de um golpe que tais instituições recuperarão sua credibilidade.
Logo, por todos os ângulos que se possa observar a aventura política intentada pelo golpismo levará à instabilidade social e política, à insegurança jurídica nas mais diversas dimensões, ao retrocesso social e ao isolamento internacional. Isso é obra do grande consórcio constituído pela Operação LavaJato (cuja ilegalidade e seletividade salta aos olhos); pelo STF (cujas omissões são cruciais); pelos partidos derrotados nas eleições (notadamente o PSDB) no bojo do falido sistema partidário brasileiro (em que o PMDB é sua mais acabada expressão); pela Fiesp (que prima pelo desprezo às conquistas sociais e democráticas); pelas classes médias conservadoras (cuja saída às ruas destampou o bueiro malcheiroso de seus preconceitos); e pela grande mídia comercial (cujo golpismo e negociatas são históricos, mas vigorosamente redivivos).
Diante desse tempo obscuro, taciturno e soturno resta a resistência política nas ruas e nos espaços públicos (os estudantes secundaristas de SP estão nos dando aulas de cidadania); nos espaços institucionais (caso de ministros do STF comprometidos com a democracia, mas silenciados nesse momento, assim como das aguerridas bancadas parlamentares anti-golpe); e de um sem-número de movimentos sociais, sindicais, comunitários, instituições e de indivíduos e cidadãos.
Reitere-se que o que o consórcio golpista legará é fundamentalmente a instabilidade política, a insegurança jurídica, o retrocesso social e o isolamento internacional.
Que essa tragédia permita que, das cinzas, nasça um país capaz de fortalecer sua democracia política e social!
Gleisi Hoffmann: Direita incita a violência e a intolerância fascista
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) começou seu discurso no Senado Federal lembrando que o Brasil vive sob uma jovem democracia que permitiu ao povo, a partir de 1985, conquistar o direito ao voto e ao primeiro operário e à primeira mulher chegar à presidência da República. Ela afirmou, porém, que ultimamente há o crescimento de um discurso fascista na sociedade
“A intolerância fascista cresce, com líderes de direita incitando a violência contra negros, homossexuais, mulheres e outras minorias”, disse.
Para ela, tirar uma presidenta eleita sem crime de responsabilidade pode parecer democrático, mas não é. “Impeachment é algo excepcional, como baixar um estado de sítio. Não pode ser usado para discutir problemas políticos”, destacou.
A petista lembrou, ainda, que se houvesse crime não seria a Câmara, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) que deveria debater e decidir a questão.
Nunca um decreto suplementar, explica Gleisi, foi usado para impedir o mandato de um chefe do executivo. De acordo com ela, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez 101 decretos suplementares e o relator do processo do impeachment no Senado, Antonio Anastasia, provocou mais de cinco mil decretos quando era governador de Minas Gerais.
“Estão querendo punir com pena de morte uma infração de trânsito’, comparou a senadora.
Ela explicou que a crise econômica brasileira é um reflexo da crise mundial, que ocorre em países como França, Estados Unidos e China, e destacou que no Brasil foram mantidas as proteções aos mais pobres, com todos os programas sociais que ajudaram a proteger a população. Também criticou as atitudes do PSDB em prol do impeachment.
Por fim, declamou uma frase histórica do antropólogo Darcy Ribeiro: “Eu detestaria, não suportaria, estar no lugar de quem me venceu hoje”.
Agência PT de Notícias
Especialista: Dilma ainda não perdeu tudo
A maioria dos senadores brasileiros votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O especialista russo Lazar Jeifets disse à Sputnik que eles fizeram isso por causa dos interesses dos seus partidos políticos, mas não por confiarem na culpa da presidente.
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, não esperou o fim da votação sobre o impeachment no Senado e já tinha mandado transportar seus bens do Palácio Presidencial para sua residência privada. A edição Estadão destaca que do Palácio Presidencial já foram levados vários quadros e pertences de Dilma.
A oposição brasileira acusa a presidente de violações da lei fiscal e uso dos meios orçamentais para financiar sua reeleição. A presidente negou todas as acusações, mas anteriormente declarou a prontidão para lutar por sua posição, usando "todos os meios possíveis".
Lazar Jeifets, Doutor em Ciências Históricas, professor da Universidade Estatal de São Petersburgo dos Estudos Americanos comentou esta situação à Sputnik.
"O fato que Dilma Rousseff fez as malas disse que ela apenas lamenta que este ‘traidor’ [vice-presidente Michel Temer] vá olhar para suas pinturas e suas coisas. Ela ainda não perdeu suas possibilidades, agora não se trata de que Dilma perca o cargo de presidente. Isto é um afastamento temporário das suas competências – um afastamento para inquérito. O presidente tem imunidade, não se pode realizar uma instrução contra o atual chefe do estado. Estes 180 dias da suspensão foi deixados para fazê-lo", disse Lazar Jeifets.
Segundo ele, Dilma não tem outra opção senão cooperar com inquérito, e para os senadores, apoiar os interesses dos seus partidos políticos.
"[Dilma] Rousseff não tem outra opção, ela irá cooperar com inquérito. E no Senado claramente se observa motivação festa simples. Os deputados da Câmara Baixa e o Senado votam não porque têm a certeza de sua culpa, mas porque os interesses de seus partidos políticos exigem o seu afastamento. Mas, eu julgo que obter o poder nestes 180 dias nesta situação socioeconômica e política não é a sorte.
Durante estes 180 dias é preciso fazer algo extraordinário para mostrar que eles controlam o país melhor do que Dilma Rousseff e seu antecessor Lula da Silva, o que é pouco provável", disse Lazar Jeifets.
Sputniknews
Assinar:
Comentários (Atom)
















