quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Síria – Patrimônio da Humanidade
Nassib Abage cumprimenta o presidente Bashar Al Assad durante visita a Damasco
A Humanidade chora a perda de algumas de suas riquezas maiores.
Por Nassib Abage
Pela primeira vez em minha vida tomei coragem de abrir meu coração para fazer um desabafo pela imensa tristeza que sinto de estarmos a perder uma das maiores lembranças que trago no arquivo da minha memória, entre tantas outras experiências que tive nas minhas andanças pelo mundo.
E tomo consciência de que os interesses econômicos tornam a responsabilidade dos homens um fracasso ao se entregarem a qualquer preço, para a conquista de valores e grandes riquezas, seja por intermédio de seitas religiosas, ambições políticas ou questões sócio econômicas, no intuito de fortalecer a sua economia através da criminosa indústria bélica que não mede esforços e nem consequências para a destruição de seus semelhantes e a história da humanidade.
Por isso trago à tona a grande revolta do meu coração que fala mais alto do que a minha própria consciência, gritando por socorro aos quatro cantos do mundo para que não deixem continuar a destruição de tudo aquilo que foi construído por criaturas certamente especiais por tantos e tantos séculos.
A história da humanidade não pertence a um só país mas sim ao mundo, pois é ela a nossa própria história.
Felizes aqueles que tem um linda história de respeito, dignidade e amor ao próximo para contar.
Quero então deixar aqui registrada a minha grande satisfação com relação a experiência que tive em uma das minhas sete passagens por Palmira quando me hospedara no Hotel Zenobia Cham Palace. Ali conheci um pouco mais da história daquela cidade e das vidas que por lá passaram. Ocupei naquele hotel um apartamento próximo ao que ficara hospedada a grande escritora Ágatha Christie, que ao contrair matrimonio em segundas núpcias com o arqueólogo inglês Max Mallowan, com ele combinou de passarem a sua lua de mel naquele fantástico sítio arqueológico.
Em lá chegando, a escritora levada por um arrebatamento, assim exclamou com toda a intensidade do seu coração: “aqui realmente moram os deuses”.
A última vez que visitei a Síria em outubro de 2011, a convite da Embaixada da Síria no Brasil, para lá fui representando meu irmão Cônsul Honorário da República Árabe da Síria nos Estados do Paraná e Santa Catariana, que estava impedido no momento de realizar aquela viagem. O referido convite tinha por objetivo reunir um número de pessoas representativas da comunidade síria no Brasil, para levar uma mensagem de apoio ao eminente Presidente Bashar Al Assad, e com ele dialogar sobre a situação da guerra de invasão em que se encontra a Síria e que havia começado em março daquele ano.
Após esse contato pessoal com o Presidente, que deixou a todos encantados com o seu carisma e sua personalidade, convenci-me da má fé dos meios de comunicação que procuram projetá-lo como um Ditador, mas que na realidade é sem dúvida um dos grandes líderes mundiais que ama seu país e seu povo.
Após a reunião documentamos a visita com fotos e filmes realizados com o presidente.
A Síria, é um dos lugares onde existia o maior equilíbrio sócio econômico do mundo, onde o grau de analfabetismo era praticamente zero, um país onde o seu Presidente tinha uma única preocupação: promover o bem estar e a educação de seu povo.
Então a Síria começa a sofrer as consequências da invasão de guerrilheiros mercenários, que para defender interesses escusos, passam a destruir sem piedade o que pertence a humanidade.
Rezo em todos os momentos da vida para que Deus proteja e salve aquele país abençoado, não permitindo que pessoas que destroem e matam por dinheiro continuem a destruir aquelas maravilhas que lá foram criadas. O acervo da humanidade pertence a todos os povos do mundo, e para que não seja destruído fica sob os cuidados da UNESCO, que foi criada para zelar pela integridade e conservação desse acervo.
Por isso também em minhas orações, peço ao pai supremo que conserve a força interior do Presidente Bashar e zele pela sua saúde e a de seus familiares.
Nesta última vez que estive naquele país, resolvi alugar o carro de um motorista amigo, como sempre fazia em minhas idas para lá, para visitar algumas das cidades mais fantásticas que conheci na minha vida. Assim é que passei por Homs, Hama, Maalula, Sednaia, Lataquia, Tartus, Alepo e já quando estávamos a alguns quilômetros da cidade de Palmira fomos parados por uma barreira militar para apresentação de nossos documentos.
De imediato o meu amigo apresentou a sua carteira de motorista e a sua identidade síria. A seguir o responsável pelo posto militar solicitou os meus documentos, ao que lhe respondi que viajava como turista. Então quero ver o seu passaporte, disse-me ele, ao que lhe respondi que havia esquecido o mesmo no hotel em que me hospedara. Como é que o senhor esquece de portar o seu passaporte na situação de guerra em que o país se encontra? Imediatamente lembrei-me das fotos que fizemos na visita ao Presidente em Damasco e que eu trazia comigo em minha carteira. Então falei para o militar: mas trago comigo um documento que deve valer mais do que um passaporte, ao que o mesmo olhou-me com os olhos arregalados enquanto eu sacava as fotos da carteira. Ao constatar a veracidade do que lhe falei e após olhar as fotos, o mesmo falou-me: “beijo as mãos de quem tocou as mãos do nosso Presidente” e de fato fez uma reverência especial. Foi uma das maiores emoções que senti na minha vida, e constatei nesse momento o quanto o Presidente era amado e respeitado pelo seu povo. Como também a sua esposa, uma bela e inteligente mulher com toda a nobreza de alma e amor pela sua pátria e seu povo.
Se eu for me estender para contar as grandes experiências que tive naquele nobre país, teria que escrever um livro de mais de mil páginas, quando também contaria a história do surgimento do cristianismo que nasceu em Antioquia na Síria, com o Apóstolo Paulo ensinando as palavras do evangelho para os primeiros seguidores de Cristo que naquela cidade foram pela primeira vez chamados de cristãos.
Por coincidência é aquela cidade sagrada, a terra natal de meus pais Nassib e Bárbara, que souberam transmitir a todos os filhos o verdadeiro sentido da palavra cristão.
Espero que Deus possa enxugar minhas lágrimas de dor e de tristeza e que não permita mais que armas e bombas atômicas venham a destruir esse grande e belo universo em que vivemos.
Peço ao Pai Supremo que nos abençoe e que nos proteja sempre dos que se julgam os donos do mundo, fazendo-os entender e tomar consciência de não mais destruírem a linda história do mundo que pertence a todos nós. Que as belas imagens que trago registradas no arquivo da minha memória, ninguém jamais possa apagá-las.
Lembro muito bem quando eu e meu irmão Abdo visitamos Palmira certa vez, e fomos levados a conhecer um tumba subterrânea onde se encontravam trinta e oito múmias com seus túmulos com transparência de vidro. Tentávamos imaginar a história que cada um trazia dentro de si no lindo trajeto que percorreram pelos caminhos da vida naquela cidade extraordinária.
A porta que nos deu acesso àquela tumba pesava duas toneladas e meia em mármore com uma chave de mais de cinquenta centímetros de comprimento e sequer temos a possibilidade de imaginar a tecnologia usada para a construção daquela grande obra que está prestes a ser destruída pelos terroristas mercenários que invadiram a Síria.
Se um dia eu perder a força da minha fé, perco minhas referências com Deus, e por isso prefiro confiar que alguém ainda há de nos proteger para que possamos acreditar num melhor dia de amanhã.
Para finalizar estas simples palavras, não sei se de dor, revolta, impotência, tristeza ou mágoa, deixo registrado o meu desabafo na esperança de que consigamos todos hastear as bandeiras da paz, não dando vez e voz aos que empunham as bandeiras das guerras.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Blogueiro revela como Assad driblou inteligência dos EUA e viajou a Moscou
Um blogueiro militar observador de aviões descobriu a provável rota da visita de Bashar Assad, que deixou a Síria, cercada de aliados americanos por todos os lados, e viajou até Moscou para se encontrar com Putin.
A provável rota do presidente sírio, Bashar Assad, em sua visita secreta a Moscou foi revelada por um observador de aviões militares usando informações coletada pelo site rastreados de voos FlightRadar24.
A visita de Assad a Moscou foi conduzida em segredo e só anunciada oficialmente após o retorno do presidente a Damasco. A viagem foi a primeira de Assad ao estrangeiro desde o início do conflito armado na Síria, em 2011.
O voo foi secreto, já que há questões de segurança envolvendo o transporte de um chefe de estado, e a aeronave poderia ter sido interceptada em baixa altitude nas proximidades de Damasco, onde grupos terroristas como o Estado Islâmico continuam presentes. Sobre o Iraque, o avião de Assad corria o risco de ser alvo de caças da coalizão liderada pelos EUA.
Além disso, a informação de que Assad deixou o país poderia ter sido usada para espalhar rumores de que o presidente havia fugido do país e, consequentemente, desestabilizar o governo e a população da Síria.
O blogueiro descobriu o avião governamental da Rossiya Airlines que provavelmente levou Assad da base aérea de Latakia, que também é o Aeroporto Internacional Basel al Assad, até Moscou. O avião foi visto inicialmente deixado o campo de voo de Chkalovsky antes de desligar seu transponder (equipamento que permite sua localização por radares de todo o mundo) no dia 20 de outubro. A aeronave, então, foi rapidamente avistada na manhã seguinte, sobre o Mar Cáspio, ao norte do Irã, e depois rumo a Moscou, em espaço aéreo russo.
Sputniknews
Um desafio global: a crise migratória na fronteira da União Europeia, na Hungria
Por Norbert Konkoly*, Embaixador da Hungria** no Brasil
Nas últimas semanas, a imprensa brasileira e internacional vêm publicando uma série de reportagens e artigos sobre a crise migratória na União Europeia, com foco especial na Hungria. Para melhor entendimento dos desafios, gostaria de compartilhar algumas considerações sobre o assunto:
A Hungria é um pequeno país com uma grande tarefa. O país – com uma população igual à de Pernambuco – deve controlar as fronteiras externas da União Europeia na região, cadastrar todos os imigrantes e refugiados que entram por lá, fornecendo lhes toda a ajuda humanitária e processar suas aplicações de asilo. A Europa está enfrentando a maior onda de migração desde a Segunda Guerra Mundial. Este ano, mais de 400 000 imigrantes cruzaram a fronteira da Hungria – é 10 vezes superior ao registrado no ano passado. Para entender a dimensão da crise: é como se o Brasil tivesse que receber, cadastrar e auxiliar 8 milhões de imigrantes e refugiados durante um ano.
As fronteiras da Hungria estão abertas. A Hungria construiu uma cerca na fronteira com a Sérvia e Croácia para que os imigrantes não entrem de forma ilegal, que é crime. A cerca serve para dirigir os imigrantes aos pontos de entrada legais. Na fronteira com a Sérvia e Croácia temos vários pontos de entrada - um por cada 25 km. Todos aqueles que solicitam asilo podem e devem entrar por ali. A Hungria ajuda além dos seus limites. Todos os requerentes são conduzidos pelas autoridades aos centros de acolhimento onde recebem abrigo, alimentação, assistência médica, ajuda financeira e toda a ajuda humanitária necessária.
Os húngaros são acolhedores porque, infelizmente, sabem muito bem o que significa ser refugiado. Antes de 1990, centenas de milhares de húngaros fugiram da Hungria e somos, até hoje, gratos aos países que os acolheram, incluído o Brasil. Nas últimas décadas, o nosso país concedeu asilo a milhares de pessoas, entre elas, a muitas famílias sírias. Temos problemas só com os que não respeitam as nossas leis. Muitos passavam pela fronteira ilegalmente, não cooperavam com as autoridades e mais: atacaram as nossas fronteiras lançando pedras, garrafas e outros objetos contra a polícia húngara e derrubaram as barreiras.
É um desafio global que requer uma solução global. A comunidade internacional tem que atuar nas raízes da crise e concentrar-se em estabilizar os países de origem dos refugiados, mudando as condições que levaram à migração em massa. A Hungria propôs a criação de um sistema de cotas globais, já que a distribuição dos migrantes não deve estar apenas a cargo da Europa. Razão e coração. A Hungria sempre concedeu e sempre concederá asilo àqueles que fogem de países em conflito. Temos feito isso e continuamos a fazer. Penso que quando se trata de refugiados, devemos usar o nosso coração. Porém, quanto aos imigrantes económicos, é necessário ouvir também a razão. Acesse: http://www.mfa.gov.hu/kulkepviselet/BR/pt/ e o facebook: https://www.facebook.com/embaixadahungara?fref=ts .
Norbert Konkoly*
É o Embaixador da Hungria no Brasil, possui formação em Comércio Exterior e Pós- Graduação em Economia pela Universidade de Economia em Budapeste, Mestrado em Relações Internacionais pelo Instituto de Relações Internacionais de Moscou e, cursou também Comunhão de Desarmamento das Nações Unidas em Nova Iorque, Genebra e Viena. Em sua carreira diplomática foi Cônsul e Adido de Imprensa na Embaixada da Hungria em Ottawa, no Canadá, bem como foi Vice Chefe do Gabinete do Secretario de Estado do Ministério das Relações Exteriores da Hungria. Foi ainda Conselheiro na Embaixada da Hungria em Londres, no Reino Unido, foi Chefe do Departamento das Américas do Ministério das Relações Exteriores na Hungria e, antes de vir para sua função no Brasil, foi o Embaixador da Hungria em Lisboa, Portugal de 2010 a 2014. O Embaixador da Hungria no Brasil, que é fluente em português, russo, inglês e francês, veio para o Brasil cumprir uma missão especial de estreitar relações culturais e comerciais entre os dois países.
Saiba mais sobre a Embaixada da Hungria no Brasil**:
A Embaixada da Hungria em Brasília tem o forte objetivo de melhorar e desenvolver as relações entre os dois países: Brasil e a Hungria. Neste ano, a Hungria começou uma política chamada “Abertura para o Sul” prestando mais atenção do que antes nesta importante região da América. A Hungria abriu a Casa de Comércio no Rio de Janeiro, o Consulado-Geral em São Paulo e o Curso da Língua e Cultura Húngaras na Universidade de São Paulo, a USP. Há sete Cônsules Honorários da Hungria em várias cidades do Brasil, que acolhe uma comunidade húngara de 100 mil pessoas. A Hungria é extremamente popular entre os estudantes brasileiros: mais de 2300 jovens estudaram no país pelo programa Ciência sem Fronteiras. A Embaixada organiza e apóia vários eventos de negócios e de cultura. Foi realizado em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP –em abril deste ano, o primeiro fórum de negócios para estreitar relações comerciais entre empresas dos dois países. E, como incentivo a cultura, o programa de música clássica “Prelúdio” da TV Cultura, em parceria com a Embaixada Húngara, oferecerá ao vencedor como o Grande Prêmio 2015 uma bolsa de estudos de um ano em Budapeste. No dia 23 de outubro comemora-se a Revolução Húngara de 1956. Nesta data o povo húngaro uniu-se pela liberdade contra a ocupação estrangeira e, lutou contra um império poderoso que foi a União Soviética, naquela época duzentos e quarenta vezes maior que a Hungria, contra o qual não tinha esperança de ganhar. Mas o ideal de liberdade é eterno. Hoje a Hungria é membro da União Européia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN – e não há mais opressão e ocupação. Porém, em vários lugares do mundo, ainda é necessária a inspiração de liberdade que revoluções como a da Hungria significaram. Em homenagem ao Dia Nacional da Hungria, a Vossa Excelência Geraldo Alckmin, Governador do Estado de São Paulo decretou o nome de “Comunidade Húngara”, a um importante viaduto na capital pelo qual passam dois milhões de paulistanos por dia.
A Rússia e o Oriente
Paul Robinson,[1] Irrussianality - Tradução: Vila Vudu
"Caros senhores, não duvidem: os senhores estão lidando com gente dura e cruel, mas não são pessoas 'primitivas' ou 'atrasadas'. São exata e precisamente tão espertos quanto os senhores. Na relação com eles, ninguém jamais saberá quem manipula quem. Perfeita prova disso está nos dados recentes sobre destino final do armamento doado àquela oposição suposta 'moderada'." [Presidente Vladimir Putin
Discurso à 70ª Assembleia Geral da ONU, 29/9/2015].*
A campanha militar da Rússia na Síria é hoje notícia de primeira página; assim sendo, talvez seja o caso de, essa semana, o meu curso "A Rússia e o Ocidente" tirar uma folga das relações russo-ocidentais, para dar uma olhada na direção das interações da Rússia com o resto do mundo. E a olhada logo mostra que o relacionamento histórico entre a Rússia e povos não europeus não cristãos tem sido de certo modo diferente do relacionamento entre a Rússia e a Europa ocidental (e, depois, com os EUA) e diferente praticamente do relacionamento da Rússia com quase todo o resto do mundo.
Enquanto o mundo muçulmano foi muitíssimo mais avançado que a Europa ocidental, os europeus não parecem ter olhado naquela direção como algo a imitar. De fato, o mundo muçulmano foi durante séculos civilização a ser temida, e depois que deixou de ser temida (mais ou menos depois de levantado o sítio de Viena, de 1683 em diante) passou a ser algo que se olhava de cima para baixo. Com o poder europeu a disseminar-se pelo mundo na era do colonialismo, o ocidente acabou por se convencer da própria superioridade e da inferioridade dos demais, ideia que de certo modo persiste até hoje e se reflete na obsessão das políticas externas com disseminar por todo o mundo as normas democráticas liberais ocidentais.
A Rússia, diferente disso, raramente viu o oriente sob cores tão negativas. Apesar de o grande filósofo Vladimir Solovyov ter declarado os medos que lhe inspirava o 'perigo amarela', que ele acreditava que destruiria a Rússia, no geral os russos sempre se preocuparam mais com perigos que vinham do ocidente. Afinal, quase todas as grandes invasões que devastaram a Rússia haviam chegado por aquele lado. A única exceção são os mongóis, mas apesar do mito do 'jugo mongol', relatos contemporâneos dão conta de que os mongóis foram de fato bem brandos. Além do mais, governantes russos, longe de pintarem a administração mongol como inferior, a consideraram como modelo de poder e eficiência a ser copiado. Notável, por exemplo, que Alexander Nevskii, em meados do século 13, tenha optado por fazer a paz com os mongóis e lutar contra os germanos. Os mongóis, afinal, só queriam impostos; os Cavaleiros Teutônicos queriam converter todos, à força, ao catolicismo. Podendo escolher entre a conquista pelo oriente ou a conquista pelo ocidente, o oriente pareceu preferível.
Quanto ao Islã, não ameaçou a Ortodoxia Russa como se entendia que ameaçasse o Catolicismo Romano. Houve relativamente poucos contatos entre o mundo muçulmano e a Rússia pré-Romanovs, mas ou poucos russos que se aventuraram por regiões islamistas em geral ficaram impressionados com o que viram. Exemplo disso é Afanasii Nikitin, cujo relato da viagem que fez à Pérsia nos anos 1460s convenceu muita gente de que o autor convertera-se ao Islã. Quando a Rússia expandiu-se para território muçulmano depois da conquista de Kazan em 1552, não deu qualquer sinal de interesse em converter muçulmanos à Igreja Ortodoxa. Depois houve várias guerras contra o Império Otomano, mas não diferiram, em natureza, das guerras que a Rússia combateu contra estados europeus.
A guerra russo-turca de 1877-8 foi justificada por um verniz de discurso civilizacional sobre salvar cristãos, dos bárbaros turcos, mas mesmo nesse caso os russos só se preocupavam com 'resgatar' búlgaros, não com 'civilizar' os otomanos.
Como David Schimmelpenninck van der Oye mostrou, o 'orientalismo' russo pré-revolucionário diferia de seu contraparte ocidental porque a maioria dos russos jamais endossou completamente os ideais europeus de superioridade racial. Especialistas como Aleksandr Kazem-Bek, Jozef Kowalewski e Vladimir Vasilev argumentaram que o governo russo beneficiaria territórios relativamente atrasados que a Rússia conquistara no século 19 no Cáucaso e na Ásia Central, mas ao mesmo tempo observaram que o atraso era produto de circunstâncias históricas, não de alguma inferioridade racial. Povos orientais, aos olhos daqueles russos eram tão perfeitamente capazes quanto os ocidentais. Os europeus, por sua vez, eram tão exatamente bárbaros quanto muçulmanos e asiáticos – como se vê nos quadros de Vasilii Vereshchagin de 1868, ‘After Success’ e ‘After Failure’, que mostra uma equivalência moral entre soldados da Ásia Central e soldados europeus, todos igualmente indiferentes aos mortos em combate.
Depois de conquistar larga fatia de território muçulmano na Ásia Central e no Cáucaso nos anos 1860s e 1870s, o Império Russo era ambivalente em relação aos seus súditos muçulmanos. Por um lado, o Império os via com alguma suspeita e não os tratava exatamente como iguais. Por outro lado, não tinha interesse nenhum em convertê-los à Igreja Ortodoxa e queria isentá-los de outros deveres de outros súditos, como o alistamento militar obrigatório. Alguns oficiais viam os muçulmanos como uma potencial 5ª coluna; mas outros os viam como excepcionalmente leais. Durante a 1ª Guerra Mundial, por exemplo, a esposa do vice-rei do Cáucaso Conde Vorontsov-Dashkov rejeitou pedido para que sua fundação caritativa oferecesse apoio a refugiados do Azerbaijão, sob o argumento de que "Não conheço nenhum refugiado tátaro (i.e., muçulmano). Só conheço traidores tátaros." Por sua vez, o sucessor de Vorontsov-Dashkov, grão-duque Nikolai Nikolaevich, fez questão de visitar as mesquitas sunita e xiita em Tbilisi no mesmo dia em que chegou; adiante, rejeitou planos para instalar refugiados europeus em terra de muçulmanos; e declarou logo depois que "ninguém pode duvidar dos laços firmes que unem muçulmanos do Cáucaso e a Rússia".
Na era soviética, o Islã era, de uma perspectiva marxista, ideologia opressora, que tinha de ser eliminada. Os soviéticos, sim, conduziram estratégia vigorosa de secularização. Mas eram igualmente hostis ao cristianismo e a todas as religiões. Não segregaram o Islã, nem o expuseram sob luz exclusivamente negativa. É verdade que o estrato superior dos governantes soviéticos veio quase exclusivamente de partes europeias da URSS, e as práticas econômicas soviéticas na Ásia Central podem, em alguns casos, ser vistas como colonialistas. Aos olhos dos soviéticos, a relação entre russos e centro-asiáticos tinha algo de relação entre mãe e prole – garantir à prole nutrição e sobrevida, mas absolutamente sem igualdade. Mesmo assim, de Khrushchev em diante, sob a doutrina da korenizatsiia [indigenização] (que determinava que as repúblicas nacionais da URSS fossem governadas por membros da nacionalidade em questão, caso a caso), o Partido Comunista tentou empenhadamente educar e promover elites locais e permitir certo grau de autonomia. O modelo colonial não é totalmente adequado.
Em resumo, se se revisa a história do relacionamento entre a Rússia e o oriente em geral, e com o Islã em particular, vê-se que essa história não é tão negativa quanto a história do ocidente. Houve um pouco menos de hostilidade e medo, um pouco menos de ares de superioridade e também um pouco mais de tolerância. Combina com a visão eslavófila que descrevi noutro trabalho, que argumenta a favor da diversidade cultural. Isso pode ajudar a explicar por que a Rússia, apesar de ter conquistado e até certo ponto explorado povos muçulmanos no passado, mantém hoje relações bem melhores (embora longe de serem perfeitas) com partes do mundo muçulmanos, que as relações que há (ou não há) entre o ocidente e o mundo muçulmano. *****
[1] Paul Robinson é professor da Graduate School of Public and International Affairs da Universidade de Ottawa, e autor de vários livros sobre história russa e soviética, dentre os quais Grand Duke Nikolai Nikolaevich: Supreme Commander of the Russian Army.
* Epígrafe acrescentada pelos tradutores [NTs].
Assad visita Moscou e trava negociações com Putin
O presidente da Síria Bashar Assad visitou Moscou nesta terça-feira(20)à noite, tendo travado negociações com o líder russo Vladimir Putin, disse hoje (21) o porta-voz do presidente da Rússia Dmitry Peskov.
“Ontem à noite o presidente da República Árabe da Síria Bashar Assad chegou a Moscou em visita de trabalho. Foram realizadas negociações em privado e em formato alargado com o presidente russo Vladimir Putin”, disse.
Segundo Peskov, das negociações alargadas participaram altos dirigentes do Estado russo.
“As negociações foram bastante longas, o seu tema principal é bastante compreensível”, acrescentou.
“Naturalmente, as questões [foram sobre] a luta contra grupos terroristas extremistas, questões ligadas à continuação do apoio às ações ofensivas das Forças Armadas sírias”, explicou o porta-voz presidencial.
"Estamos prontos a fazer tudo o possível para combater o terrorismo na Síria, não só na área militar, mas também no processo político", manifestou o presidente russo Vladimir Putin durante o encontro.
Putin também agradeceu ao povo sírio pela sua contribuição para a luta contra o terrorismo. Ele sublinhou que a Rússia está preocupada pelo fato de pelo menos quatro mil militantes oriundos da ex-URSS lutarem ao lado de grupos terroristas na Síria.
“O povo sírio resistiu quase sozinho e lutou contra o terrorismo internacional por muitos anos, sofrendo perdas significativas mas, recentemente, também tem alcançado sérios resultados positivos nesta luta”, disse o líder russo.
O líder sírio Bashar Assad, por sua vez, agradeceu às autoridades russas pela sua ajuda à Síria, dizendo que elas apoiam a unidade e independência da Síria. Assad acrescentou, dirigindo-se a Vladimir Putin: "O terrorismo que agora se expandiu na região teria tomado áreas ainda maiores e teria se espalhado por um território ainda maior se não fossem as suas ações e decisões", disse Assad.
A Rússia lançou a sua operação aérea contra grupos terroristas na Síria em 30 de setembro. Desde então, as Forças Armadas da Síria iniciaram uma série de ofensivas contra militantes do Estado Islâmico e outras organizações extremistas. Durante as negociações, Assad disse que qualquer ação militar também pressupõe medidas políticas adicionais para resolver a crise síria.
Sputniknews
Evo: “Somos uma ameaça ao capitalismo por que já não nos roubam como antes”
El presidente de Bolivia, Evo Morales, aseguró que Barack Obama “cuando dice que Venezuela es una amenaza a su seguridad se equivoca”, porque en realidad “considera que todos los pueblos de la Patria Grande somos una amenaza al sistema capitalista y porque ya no nos pueden robar como antes”, en “este camino de liberación que hemos emprendido”.
De El ciudadano
Evo lo expresó en una entrevista telefónica mantenida con Télam, en la que manifestó su fuerte respaldo al gobierno de Nicolás Maduro y condenó la orden ejecutiva dictada por Obama, en la que tildó al país caribeño como una “amenaza” para el territorio estadounidense.
“Sus agresiones políticas, a la soberanía y hasta de característica económica no tienen otro objetivo que atacar el proceso de liberación que vivimos”, reafirmó Morales desde La Paz.
En ese sentido, sostuvo que “cuando Obama dice que Venezuela es una amenaza a su seguridad se equivoca, porque en realidad considera que somos una amenaza al sistema capitalista y porque ya no nos pueden robar como antes”.
El presidente de Bolivia también valoró “el fuerte proceso de integración” que despliegan los países de la región desde hace más de una década, mientras que por otra parte “el capitalismo tambalea no social, sino también económicamente”.
“Tienen que entender de una vez por todas que tenemos derecho a liberarnos y controlar nuestros recursos. Esto fue y es algo fundamental para todos nuestros países y fundamentalmente para Bolivia, porque ya no somos el patio trasero de nadie, como decía Néstor Kirchner”, sostuvo Evo.
Precisamente, Morales evocó con emoción la figura del ex presidente argentino y aseguró que uno de sus “más grandes recuerdos” tiene que ver con la cumbre la IV Cumbre de las Américas realizada en Mar del Plata el 4 de noviembre de 2005, recordada como la cumbre del No al ALCA.
“Tengo siempre presente el debate de ALBA, o el área de libre ganancia del capitalismo, como yo le decía en aquel momento en las charlas con Néstor. Aquella fuerte postura común fue fundamental para el paso que dimos, por eso siempre recuerdo cuando Kirchner decía que no éramos el patio trasero, y yo creo que eso no les gustó para nada y fue revelador para Estados Unidos y Canadá”.
Al mismo tiempo, valoró el crecimiento que tuvo la UNASUR a partir de aquel momento, organismo que, según Evo, apunta a que “seamos una potencia, no para invadir países, sino para imponer la paz y la justicia social”.
“Estados Unidos y Canadá podrían estar con nosotros, pero si no es el caso no nos apartaremos del camino iniciado”, reafirmó Morales de cara a la nueva Cumbre de las Américas que tendrá lugar el próximo 11 y 12 de abril en Panamá.
Respecto al encuentro, y más allá de reafirmar su apoyo a Venezuela, se mostró expectante por volver a reencontrarse con la presidenta Cristina Fernández de Kirchner, “en algún encuentro bilateral o una charla, para seguir avanzando con la fuerte relación que une a nuestros dos países”.
Por otra parte, y teniendo en cuenta “los importantes temas a debatir en esta cumbre”, el presidente de Bolivia reafirmó la necesidad de que “se termine con los debates cerrados entre presidentes”, dado que “es fundamental que los pueblos nos escuchen y terminemos con estas charlas cerradas”.
Daesh quema vivas a 25 personas en Irak y ejecuta a otras 18
El grupo takfirÍ EIIL quema vivos a cuatro miembros de las fuerzas populares iraquíes en la provincia occidental de Al-Anbar.
El grupo takfirí EIIL (Daesh, en árabe) ha quemado vivas a 25 personas en la ciudad iraquí de Mosul y ejecutado a otras 18 en la provincia de Kirkuk, ambas ubicadas en el norte de Irak.
"Unos 25 civiles iraquíes fueron quemados vivos en las afueras de la ciudad de Mosul. Las víctimas estaban acusadas de traición y de espiar para las fuerzas de seguridad iraquíes", informó el martes el general de brigada Zenun al-Sabawi en declaraciones recogidas por la televisión estatal Alsumaria.
Al-Sabawi precisa que miembros del EIIL cometieron tal barbaridad en los bosques próximos a la ribera del río de Tigris, y obligaron a los ciudadanos a presenciar las ejecuciones para aterrorizarlos y que se sometan a sus dictados.
El pasado sábado, Daesh ejecutó a tres músicos iraquíes en una de las plazas principales de Mosul por “innovaciones en asuntos religiosos”.
Por otra parte, 18 civiles han sido ajusticiados por el EIIL en la ciudad de Al-Hawiya, al suroeste de la ciudad de Kirkuk, capital de la provincia homónima, por supuestos cargos de espionaje.
Según la agencia iraquí de noticias Shafaq News, algunos civiles fueron atados a una furgoneta y arrastrados hasta la muerte por las calles de la ciudad, otros colgados de postes de electricidad tras dispararles en la cabeza.
Miembros del EIIL en las calles de la ciudad de Mosul.
La semana pasada, EIIL ejecutó a 70 miembros de la tribu Albu Nimr en la provincia iraquí de Al-Anbar, en el oeste de Irak.
En junio de 2014, los integrantes de Daesh se infiltraron en Irak a través del territorio sirio y tomaron el control de amplias zonas en el oeste y norte de Irak.
mkh/nii/ HispanTv
Caso Heredia fuerza dimisión del ministro de Justicia de Perú
El presidente de Perú, Ollanta Humala, y su esposa Nadine Heredia.
La destitución de la fiscal que investigaba a la esposa del presidente peruano, Nadine Heredia, por un caso de corrupción forzó al ministro de Justicia del país a renunciar a su cargo.
“En consideración a la actual coyuntura y con aras de contribuir a la necesaria estabilidad que demanda nuestro país, he presentado al presidente (Ollanta Humala) mi renuncia irrevocable al cargo y esta ha sido aceptada”, declaró el martes en una rueda de prensa Gustavo Adrianzén, el que fuera ministro de Justicia y Derechos Humanos de Perú.
Horas antes y en la misma jornada, el presidente Ollanta Humala destituyó a la procuradora Julia Príncipe, que investigaba un presunto lavado de activos de la primera dama Nadine Heredia, alegando una “inconducta funcional” al hacer declaraciones públicas en torno al caso.
El pleno del Congreso del país iba a votar dos días después la moción de censura presentada en contra de Adrianzén por sancionar a Príncipe a causa de sus declaraciones sobre el caso a la prensa.
Por su parte, la procuradora Príncipe, que ocupaba el cargo desde 2009, rechazó la acusación de inconducta funcional y acusó a Humala de intentar frenar las investigaciones de presunta corrupción.
“Jamás se me pidió explicaciones sobre otros casos, pero sin embargo cuando me refiero a la señora Nadine Heredia se me pide explicación”, afirmó Príncipe en una conferencia de prensa.
Además se mostró “indignada” por su expulsión de la carrera fiscal y advirtió de que aun así “desenmascarará” a Adrianzén y al Gobierno. “Sé con quién estaba luchando y, por tanto, lo que podría ocurrir, y ocurrió”, añadió.
Las denuncias contra la esposa del presidente peruano coparon las portadas de la prensa durante el pasado mes de mayo, desde que la Fiscalía le reabrió una investigación por lavado de activos.
La Fiscalía acusó a Heredia de no haber justificado ingresos por unos 215 000 dólares entre 2005 y 2009, lapso en el cual Humala recibió financiamiento de empresas venezolanas, aunque el propio gobernante ha descartado cualquier ilegalidad.
Mientras Perú se prepara para las próximas elecciones presidenciales en abril del 2016, un sondeo nacional muestra que la desaprobación del presidente de Perú, Ollanta Humala, ha subido hasta alcanzar el 80 % en los primeros días de octubre.
mpv/nii/HispanTv
Acusan a Colombia de ser responsable de desapariciones forzadas
Representantes de delegaciones negociadoras del proceso de paz en Colombia reunidos en La Habana, capital de Cuba.
La activista y defensora colombiana de derechos humanos Piedad Córdoba acusó el martes al Gobierno de Bogotá de estar detrás de las desapariciones forzadas en Colombia.
“Este es un delito de Estado”, destacó la activista colombiana en su cuenta de Twitter; y el Departamento Administrativo de Seguridad (DAS), el Ejército y la policía son los mayores victimarios, añadió.
La activista y defensora colombiana de derechos humanos, Piedad Córdoba.
Córdoba también denunció las declaraciones sobre que las desapariciones forzadas son producto e la guerra entre el Gobierno y las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC).
En referencia al acuerdo logrado entre las FARC y el Gobierno colombiano sobre las desapariciones forzadas, rechazó las declaraciones de algunos sectores que lo califican de “politiquero”.
El sábado, el Gobierno colombiano y la guerrilla acordaron iniciar la búsqueda de los desaparecidos durante el conflicto armado.
El acuerdo se anunció en La Habana, capital cubana y sede de los diálogos de paz, en presencia de ambas delegaciones negociadoras, encabezadas por Humberto de la Calle, como representante del Gobierno colombiano, y el guerrillero Iván Márquez.
Por su parte, la Organización de las Naciones Unidas (ONU) acogió con beneplácito el lunes el acuerdo entre el Gobierno de Colombia y las FARC para la búsqueda, ubicación y entrega de personas dadas por desaparecidas durante el conflicto armado.
De acuerdo con las estimaciones de la Unidad de Víctimas de Colombia, el conflicto armado interno, que vive el país suramericano desde hace medio siglo, ha dejado unas 46 557 víctimas directas de desaparición forzada.
La directora de la Unidad de Víctimas de Colombia, Paula Gaviria, precisó en mayo que nueve de cada diez víctimas son hombres y, entre 2012 y 2015, su Unidad ha acompañado la entrega de restos a 1428 familias en 26 de los 32 departamentos del país
alg/nii/ HispanTv
Al Assad llega a Moscú: "Sin Rusia el terrorismo se propagaría aún más por la región"
Sin Rusia el terrorismo se propagaría aún más por la región, afirmó el presidente de Siria Bashar Al Assad durante su visita a Moscú.
"De no haber sido por las acciones de Rusia, el terrorismo se habría propagado por la región, se habría apoderado de un territorio aún más grande", afirmó el presidente de Siria Bashar Al Assad durante su visita a Moscú.
"Me gustaría agradecer una vez más al pueblo ruso su apoyo a nuestro país y expresar la esperanza de que venceremos al terrorismo", afirmó. Al Assad abogó a favor de que Rusia y Siria sigan "actuando juntos" para la recuperación económica y política de su país y "para la convivencia pacífica de todos".
"Obviamente, todos entienden que cualquier acción militar requiere los consiguientes pasos políticos", agregó Al Assad.
El mandatorio sirio llegó a Moscú la noche del martes para mantener una reunión con el presidente ruso, Vladímir Putin.
Por su parte, Vladímir Putin subrayó que, pese a que Siria combate casi en solitario el terrorismo y sufre graves pérdidas, está logrando resultados significativos. Asimismo, agregó que al menos "4.000 inmigrantes de la antigua Unión Soviética luchan contra las tropas gubernamentales de Siria".
Actualidad RT
"EE.UU. está en shock por el poderío militar que Rusia demuestra en Siria"
El "poderío militar imprevisto" que Rusia demuestra en Siria ha dejado "en shock" a Estados Unidos, que imaginaba que el Ejército ruso estaba "obsoleto", ha escrito el periodista Paolo Guzzanti en el periódico italiano 'Il Giornale'.
De acuerdo con el texto que ha escrito Paolo Guzzanti en la publicación italiana, hasta el momento tanto EE.UU. como Europa estimaban que el Ejército ruso estaba formado por "tropas en uniformes desgastados" desfilando con "millones de toneladas de hierro".
Sin embargo, el periodista valora que Rusia no sólo ha mostrado "armamento moderno y entrenamiento de alta precisión", sino también "un estilo, una velocidad de movimientos militares y un descaro mediático que desafía abiertamente a los estadounidenses a la hora de elegir qué objetivos hay que bombardear y cuáles hay que preservar".
Guzzanti destaca que Moscú ha echado a un lado a Washington y le ha dicho "estamos trabajando, ya le informaremos sobre el resultado". Así, estima que los rusos han experimentado un gran avance desde la operación que ejecutaron en Georgia en 2008, cuando perdieron varios equipos militares mientras protegían Abjasia y Osetia del Sur.
Como consecuencia de este operativo ruso, "Barack Obama ha cambiado drásticamente su estrategia" y ha decidido mantener sus tropas en Afganistán, entre otras cosas para combatir el empuje ruso en el campo de batalla, concluye la publicación.
Actualidad RT
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Intervenção militar russa na Síria: Semana 2 - Alternativas para Daesh, o Império e a Rússia
The Saker, Unz Review - Tradução: Vila Vudu
A ofensiva russa na Síria ainda está a pleno vapor e é difícil ver o que está realmente acontecendo ou o quanto ela foi efetiva. Segundo os sírios, 40% de toda a infraestrutura do "Daesh" (quer dizer: ISIS+al-Qaeda+todas as centenas de grupos pequenos que lutam juntos contra o governo sírio) foi destruída.
Fontes russas são menos entusiásticas e falam de uma ofensiva síria bastante lenta e hesitante. Até aqui não há relato de grande vitória, mas dado que os dois lados concordam que a campanha aérea russa é devastadoramente efetiva e altamente destruidora para o Daesh, creio que há boa probabilidade de que os sírios alcancem em breve algum grande sucesso. Se não, então os iranianos sem dúvida têm capacidade para realmente desequilibrar. Por tudo isso, é boa hora para observar que opções terá o Daesh.
Como o Daesh pode adaptar-se às novas circunstâncias
Primeiro, até agora, basicamente o Daesh podia andar à noite em total impunidade, porque a Força Aérea Síria simplesmente não tinha a tecnologia para detectar e atacar unidades do Daesh à noite. Tudo isso agora mudou, porque as aeronaves russas (de asas fixas e de asas rotatórias) engajadas na atual campanha têm total capacidade noturna. Esse é grande problema para o Daesh que agora terá de operar em ambiente extremamente perigoso 24 horas/dia. Solução? Camuflagem e dispersão. As forças do Daesh terão de aprender a dedicar muito mais trabalho para evitar serem detectadas, inclusive detecção por rádio, e terão de evitar o mais possível qualquer grupamento detectável. Não é tarefa fácil, mas muita gente já aprendeu, no passado, a escapar com sucesso a qualquer detecção.
Segundo, as forças do Daesh terão de adaptar-se ao tipo de ataque de guerrilha, de "atacar e correr". Até agora, os dois lados querem engajar-se numa espécie bizarra de "guerra de trincheiras" na qual cada lado tem de cavar e bombardear o outro. Agora que os bombardeiros russos e apoio aéreo próximo podem ser convocados pelos comandantes sírios da linha de frente, aquela guerra 'de trincheiras' ficará muito perigosa para o Daesh, o que provavelmente os forçará a mudar para guerra de emboscadas, mais rápida.
Terceiro, muitas fontes concordam em que, hoje, o Daesh controla cerca de 80% da terra e 20% da população. Isso se deve sobretudo ao tamanho das forças armadas sírias, que estão diluídas em excessiva distensão, para que possam proteger áreas de população rarefeita. O Daesh pode usar isso a favor dele, e tentar mover-se à volta de qualquer força síria atacante, e depois emboscar quaisquer unidades cujos flancos e rotas de suprimento não estejam garantidas. Os sírios terão de ser muito cautelosos, para não caírem numa armadilha de "caldeirão", como os ucranianos na Novorrússia.
Quarto, se as coisas começarem a ficar realmente feias para o Daesh, eles podem começar a usar fronteiras turcas, iraquianas, libanesas e jordanianas para esconder-se das forças sírio/iranianas e usufruir do mesmo tipo de paraíso seguro que os afegãos tiveram no Paquistão durante a invasão soviética.
Quinto, o Daesh pode fazer o que os ucranianos fizeram e forjar uma 'atrocidade russa' sob falsa bandeira, alguma coisa como bombardearem uma clínica ou hospital pediátrico. Podem até tentar um "ataque químico russo contra infelizes refugiados". A imprensa-empresa adorará recolher e distribuir a história, por mais ridiculamente mentirosa que seja.
Finalmente, podemos ter certeza absoluta de que se os militares sírios forem "excessivamente" bem-sucedidos, pelo menos do ponto de vista do Império, nesse caso todos os "amigos da Síria" unirão forças e pedirão uma "conferência de paz" cujo principal objetivo será salvar o Daesh da completa destruição. Foi a estratégia que o Ocidente usou com as conversações de paz de Minsk-1 e Minsk-2, para salvar de completa derrota militar a junta ucronazista.
O mundo já viu inúmeros exemplos de forças como o Daesh (em termos militares, não em termos políticos) que se adaptam a inimigo tecnologicamente superior. No momento presente, a superioridade do governo sírio é basicamente aérea (graças à Força Aérea Russa) e na qualidade e quantidade da inteligência (graças aos Destacamentos para Serviços Especiais [ru. OsNaz] do Serviço de Inteligência Militar [ru. GRU] da Federação Russa no solo e aos 'olhos e ouvidos' russos no céu e no espaço). Mas com o tempo, os russos podem trazer equipamento novo (modernos lançadores de foguetes múltiplos, pesados lança-chamas TOS-1, novos blindados e sistemas de artilharia) que podem fazer real diferença, mas no fim do dia, serão os 'coturnos', no sentido de infantaria, que decidirão o resultado. Será que sírios e curdos serão suficientes para quebrar o Daesh, ou os iranianos farão algum movimento? Honestamente, não sei, mas meu palpite é que Irã e o Hezbollah entrarão na luta. Quanto à intervenção russa, Putin agora já excluiu totalmente essa possibilidade.
Opções recomendadas por políticos norte-americanos
Políticos dos EUA apareceram com duas sugestões para ajudar os "terroristas moderados" deles: entregar mísseis avançados antiaviões ao Daesh; e impor uma zona aérea de exclusão. As duas sugestões me parecem muito pouco práticas e muito perigosas.
Entregar mísseis avançados antiaviões: mas que mísseis avançados?! O Daesh já tem sistemas portáteis de defesa aérea (MANPADS) como os Stingers dos EUA e os russos Iglas. São ótimos mísseis, mas não têm suficiente alcance para atingir aviões russos, a maioria dos quais voam a 5.000 metros de altitude. Sim, podem atingir alvo em voo baixo, como um SU-25 em missão de apoio aéreo próximo ou um helicóptero Mi-24. Essas duas aeronaves foram muito modificadas durante e depois das guerras no Afeganistão e na Chechênia, e são bem protegidas contra esse tipo de ataque. De qualquer modo, mais cedo ou mais tarde uma aeronave russa será atingida por míssil desse tipo e é até possível que seja derrubada. O Daesh já tem essa capacidade; mandar ainda mais MANPADs não faz sentido algum e é muito perigoso, considerando-se o tipo de uso que qualquer grupo terrorista pode dar a essas armas contra aviões civis. A Síria não é o Afeganistão e não estamos nos anos 1980s. Nada indica que MANPADs façam alguma grande diferença nessa guerra, especialmente não contra o tipo de aeronaves que os russos estão usando.
Uma zona aérea de exclusão: e contra quem? Aviões russos? Para começar, seria enlouquecidamente provocativo, e as consequências de os EUA derrubarem avião russo são realmente aterrorizantes. Mas também aí é preciso perguntar onde seria criada a tal zona. Hillary e outros neoconservadores pirados estão sugerindo uma zona aérea de exclusão sobre o norte da Síria. Ok, mas... e se a Rússia, em resposta, declara outra zona aérea de exclusão sobre o resto do país? E aí? Tudo isso, deixando de lado a insanidade, em termos militares, que seria ameaçar um ataque à Rússia; e em termos legais o Império não tem qualquer mandato para declarar zona alguma –mas a Rússia estaria rigorosamente dentro da lei, se declarasse, ela, uma sua zona aérea de exclusão.
E se o Império realmente enlouquecer completamente e declarar que imporá uma zona aérea de exclusão sobre toda a Síria, todos podem ter absoluta certeza de que "repentinamente" aparecerão S-300s em número suficiente para tornar a coisa toda um exercício extremamente perigoso. Por falar nisso, se a coisa chegar àquele ponto, os russos podem declarar que todos os S-300s na Síria são tripulados exclusivamente por militares sírios e estão sob comando sírio e, portanto, podem derrubar aviões dos EUA em total impunidade (como já fizeram no passado, no Vietnã e no Líbano).
Zona aérea de exclusão só faz sentido contra país indefeso; contra país armado com defesa aérea moderna ou semimoderna, é ideia muito perigosa. Quero crer que há gente mentalmente sã no Comando do Estado-maior e no Pentágono, para rejeitar qualquer plano que acabe disparando uma guerra nuclear entre Rússia e EUA.
A "superpotência emburrada"
No momento, os EUA parecem estar absolutamente sem saber o que fazer. Primeiro, acusaram os russos de bombardearem os terroristas "errados". Os russos responderam "ok, é só nos darem uma lista dos 'terroristas do mal', e acabamos com eles". Os norte-americanos não deram. Depois os russos disseram, "ok, então, nesse caso, pelo menos nos deem uma lista dos 'terroristas do bem', e não atiraremos neles". Os norte-americanos não deram! Foi quando os russos começaram a rir abertamente dos norte-americanos, e Putin comentou que os seus "parceiros" norte-americanos "parece que têm geleca no cérebro".
Para piorar, os EUA também rejeitaram um convite dos russos para que mandassem especialistas militares conversar com o estado-maior russo; e agora, parece que até se recusaram a receber uma delegação militar russa chefiada pelo primeiro-ministro Dmitry Medvedev em pessoa!
Não me lembro, em toda a minha vida, de ter ouvido falar de alguma "superpotência emburrada", mas estamos assistindo exatamente a isso.
Até quando Tio Sam vai continuar de cara feia sentado no canto é coisa que ninguém sabe, mas evidentemente não é política sustentável. De fato, nem política é.
Não vejo sinal de os EUA mostrarem coragem para encarar a realidade e agir adequadamente. Não só o governo Obama bate recordes universais de incompetência e mediocridade intelectual; as eleições também pioram as coisas: com psicopatas como Hillary, McCain ou Fiorina a fazer diariamente as mais alucinadas 'declarações', a Casa Branca só faz espernear, tentando escapar de acusações de ser "muito mole com a Rússia".
E dado que nenhum político nos EUA pode expor-se ao risco de informar ao público norte-americano a verdade básica de que os EUA não são onipotentes, os políticos norte-americanos estão presos numa corrida sem fim para provar o quanto são "durões" em questão de "defesa".
Quanto aos europeus, eles provavelmente nem miolos têm para perceber o acima exposto, mas com certeza não têm espinha dorsal para dizer coisa alguma aos seus patrões norte-americanos.
Exatamente como na Ucrânia, o ocidente criou a mais total lambança, e agora não tem nem ideia do que fazer com ela.
Opções dos russos
Diferente do que tenta fazer crer a mídia ocidental, a força russa que está na Síria é ainda muito pequena. A principal razão para isso é que a base aérea próxima de Latakia simplesmente não pode acomodar força russa maior. Tanto quanto sei, não há outros locais na Síria onde a Rússia possa estacionar mais aeronaves.
Sim, o número de missões que os russos já voaram deixou embasbacados os especialistas dos EUA que nunca, em tempo algum, alcançariam números equivalentes com aeronaves e pilotos norte-americanos. Mesmo assim, a força russa é pequena e vulnerável.
Claro, uma opção para os russos seria expandir a pista próxima de Latakia, mas isso consumiria tempo e mais recursos e, tanto quanto posso ver, os russos trabalham para consolidar o aeroporto e a pista que já existem. Mas, como expediente temporário, os russos poderiam usar bombardeios estacionados na Rússia. Se o Irã autorizar a Rússia a reabastecer em voo no espaço aéreo iraniano, ou se o Irã autorizar a Rússia a usar bases iranianas, nesse caso há muitos "pacotes de força aérea" SU-34/SU-35SM ou SU-34/SU-30SM que poderiam engajar-se na Síria. Em teoria, a Rússia poderia até usar seu Tu-22M3 para bombas de gravidade, seu Tu-95MS para usar mísseis cruzadores e seu Tu-160 para servir-se de qualquer das duas armas, ou de ambas.
Não me parece que haja qualquer necessidade militar de usar esses bombardeiros estratégicos no momento atual, mas pode ser boa ideia pô-los em operação, por motivos políticos – para mexer mais alguns 'músculos militares' e mostrar aos neoconservadores que ninguém se meta com a Rússia. Mísseis cruzadores lançados de submarinos também funcionariam, especialmente se lançados de submarino russo no Mediterrâneo que a Marinha dos EUA não tenha visto.
O que é indiscutivelmente verdade é que, depois da primeira revoada de mísseis cruzadores russos, os EUA retiraram seu único porta-aviões – o Theodore Roosevelt – do Golfo Persa.
[Comentário colateral: alguns observadores russos sugeriram que a primeira revoada de mísseis cruzadores russos incluía 26 mísseis porque o 26º presidente dos EUA foi Theodore Roosevelt, nome do único porta-aviões que havia no Golfo Persa, e que aí haveria uma sutil mensagem que os EUA compreenderiam. Sabe-se lá! Pode ser que sim. Pode ser que não. Se for coincidência, é das boas. Certo mesmo é que, por hora, depois de muito, muito tempo, não há nenhum porta-aviões norte-americano no Golfo Persa]
O principal problema com qualquer escalada militar ou envolvimento maior dos russos, é que Putin terá de vender a coisa ao público russo o qual, até agora, o tem apoiado entusiasticamente, mas que, de modo geral, está farto de envolvimentos militares sem data para acabar (por exemplo, muitos russos opõem-se a qualquer intervenção russa no Donbass). Até aqui, o Kremlin está conduzindo operação soberba de Relações Públicas, explicando que o Daesh é ameaça direta a Rússia, e que é melhor para a Rússia "combatê-los lá, do que cá entre nós". Mas essa lógica repousa sobre a ideia de que, para desequilibrar a relação de poder, basta intervenção russa muito limitada. Há uma linha conceitual muito fina entre desequilibrar a relação de poder e fazer guerra 'dos outros' – e aí está algo que o Kremlin vê com absoluta clareza. Deve-se esperar que essa linha não seja jamais ultrapassada.
[assina] The Saker
ATUALIZAÇÃO: A notícia mais recente é que os EUA recusaram a oferta dos russos para coordenarem o resgate de qualquer piloto norte-americano ou russo acidentado ou derrubado sobre a Síria! Pelo que se vê, é mais importante para Obama continuar a fazer cara de emburrado e malcriações contra Putin, do que maximizar as chances de sobrevivência de pilotos norte-americanos. Atitude tão patética, quanto repugnante.
A mais rica democracia africana é hoje paraíso de terroristas patrocinado por EUA-OTAN
Garikai Chengu,* Global Research, Canadá - Tradução: Vila Vudu
Em 1967, o coronel Gaddafi herdou uma das mais pobres nações africanas. Quando foi assassinado, a Líbia era a nação mais rica da África. Antes do início da campanha de bombardeio comandada pelos EUA contra o país, a Líbia tinha o mais alto Índice de Desenvolvimento Humano, a mais baixa taxa de mortalidade infantil e a mais longa expectativa de vida de todo o continente africano.
20 de outubro marca o 4º aniversário do assassinato de Muammar Gaddafi. Foi quando os EUA acabaram de destruir uma das maiores nações de toda a África.
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Hoje, a Líbia é estado destruído. A intervenção militar por exércitos ocidentais sob comando dos EUA gerou o pior cenário imaginável: todas as embaixadas ocidentais foram abandonadas; a região sul do país tornou-se abrigo seguro para os terroristas do ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico; e a costa norte é hoje centro de tráfico de migrantes. Egito, Argélia e Tunísia fecharam suas fronteiras com a Líbia. E isso acontece num quadro dantesco de estupros, assassinatos e torturas generalizados, que completa a descrição de estado destruído até a medula.
Hoje, na Líbia há dois governos que disputam o país, dois parlamentos, dois bandos que disputam o controle do banco central e da empresa de petróleo do país, nenhuma polícia ou exército funcionais, e os EUA agora temem que o ISIS comande campos de treinamento de terroristas em vastas áreas do país.
De um lado, no oeste do país, milícias aliadas de islamistas tomaram o controle da capital Tripoli e de outras cidades chaves, e impuseram ali seu próprio governo, depois de expulsarem um parlamento que havia sido eleito.
Do outro lado, no leste do país, o governo 'legítimo', dominado por políticos anti-islamistas e que vive exilado a 1.200 quilômetros de distância da capital, em Tobruk, já não governa coisa alguma. A democracia que governos ocidentais prometeram aos líbios para depois que o regime do coronel Gaddafi fosse 'mudado', se algum dia existiu, dela hoje não se veem nem vestígios.
Ao contrário do que ensina a mídia-empresa ocidental, a Líbia nunca foi alguma "ditadura militar de Gaddafi"; na verdade, a Líbia de Gaddafi foi um dos estados mais democráticos do mundo.
Sob o sistema de democracia direta de Gaddafi, único em todoo mundo, as instituições tradicionais do governo à ocidental haviam sido desmontadas e abolidas. O poder pertencia ao povo, que o exercia diretamente mediante comitês e congressos populares.
Muito diferente de país controlado por um único homem, a Líbia era nação altamente descentralizada e dividida em várias pequenas comunidades que, na essência, operavam como "miniestados autônomos" dentro de um estado. Esses estados autônomos controlavam seus próprios distritos e tomavam várias decisões, inclusive como alocar os lucros do petróleo e os fundos nacionais orçamentais. Dentro desses miniestados autônomos, os três principais corpos da democracia líbia eram os Comitês Locais, os Congressos Básicos do Povo e os Conselhos Revolucionários Executivos.
Os Congressos Básicos do Povo (CBP) ou Mu’tamar shaʿbi asāsi eram essencialmente o equivalente líbio, em funções, da Câmara dos Comuns no Reino Unido ou da Câmara de Representantes nos EUA. Mas os Congressos do Povo da Líbia não eram constituídos só de representantes eleitos que discutiam e propunham leis em nome do povo; o Congresso admitia a participação direta no processo, de todos os líbios. Estavam em operação em todo o país 800 Congressos Básicos do Povo, e todos os líbios podiam comparecer às reuniões e participar das discussões e tomar decisões em todas as grandes questões inclusive de orçamento, de educação, indústria e de economia em geral.
Em 2009, Gaddafi convidou o New York Times para que enviasse jornalistas que passariam duas semanas no país e observariam a operação da democracia direta líbia. Até o New York Times, que sempre foi crítico furioso do experimento democrático do coronel Gaddafi, reconheceu, pelo menos, que, pelo projeto político nacional
“[Na Líbia] todos estão envolvidos em todas as decisões (...) Dezenas de milhares de pessoas participam de reuniões de comitês locais para discutir e votar questões as mais variadas, de tratados internacionais à construção de escolas."
A diferença fundamental entre os sistemas democráticos ocidentais e a democracia direta da Jamahiriya é que, na Líbia, todos os cidadãos tinham pleno direito de expressar diretamente a própria opinião – não em algum Parlamento de apenas umas poucas centenas de políticos ricos que, pressupostamente, representariam os pobres –, mas em centenas de comitês de cujas reuniões participavam dezenas de milhares de cidadãos. Longe de ser alguma ditadura militar, a Líbia governada pelo coronel Gaddafi foi a mais próspera democracia da África.
Inúmeras vezes, propostas do próprio coronel Gaddafi foram rejeitadas pelo voto popular nos Congressos, que aprovavam o exato oposto do que Gaddafi propusera; e o que foi aprovado foi convertido em lei.
Por exemplo: inúmeras vezes o coronel Gaddafi propôs a abolição da pena de morte, e queria implantar a educação doméstica, em vez das escolas tradicionais. Mas os Congressos do Povo sempre quiseram manter a pena de morte e as escolas tradicionais – e sempre prevaleceu a decisção dos Congressos do Povo. Assim também, em 2009, o coronel Gaddafi apresentou sua proposta para, essencialmente, abolir completamente o governo central e entregar toda a administração dos procedimentos de extração e comercialização do petróleo diretamente às famílias. Os Congressos do Povo também rejeitaram essa ideia.
Por mais de 40 anos, Gaddafi promoveu uma democracia econômica, e usou a riqueza nacionalizada do petróleo para manter programas de bem-estar social muito progressistas, e para todos os líbios. Sob governo de Gaddafi, os líbios gozaram não só de atendimento à saúde e educação universais gratuitos, mas também de eletricidade gratuita e empréstimos sem juros.
Hoje, graças à intervenção de EUA-OTAN, o setor de saúde já praticamente nem existe, depois que milhares de médicos e enfermeiros filipinos empregados do estado líbio fugiram do país; universidades públicas que havia em todo o país estão fechadas; e frequentemente falta energia elétrica na antes vibrante Trípoli.
Diferentes dos cidadãos ocidentais, os líbios não votavam a cada quatro anos para trocar o presidente, e eleger parlamentos que, por mais que se troquem os nomes, são invariavelmente povoados de gente rica que ganham um direito pressuposto democrático de defender os direitos dos pobres contra os seus próprios direitos de ricos. Líbios comuns tomavam suas próprias decisões de política exterior, política doméstica e política econômica, eles mesmos.
O bombardeio dos EUA em 2011 contra a Líbia, não destruiu apenas a infraestrutura da democracia líbia. Os EUA também trabalharam diretamente para promover Abdelhakim Belhadj, então líder de um grupo terrorista chamado ISIS, o mesmo grupo que, hoje, torna absolutamente impossível qualquer democracia na Líbia.
O fato de que os EUA têm longa e desgraçada história de apoiar grupos terroristas no Norte da África e no Oriente Médio só surpreenderia quem viva de 'informar-se' por noticiários de jornal e televisão e aplicadamente se dedique a não conhecer diretamente nenhum fato.
A primeira vez que a CIA aliou-se a islamistas extremistas foi ainda durante a Guerra Fria. Naquele momento, os EUA viam o mundo por uma equação não 'simples', mas caolha: de um lado, a União Soviética e o nacionalismo terceiro-mundista, que os EUA consideravam arma soviética; de outro lado, as nações ocidentais e o extremismo islamista, chamado "Islã Político", que os EUA viam como seu aliado na luta contra a União Soviética.
Desde então, os EUA já usaram a Fraternidade Muçulmana no Egito contra a expansão soviética; o Islã Sarekat contra Sukarno na Indonésia; e o grupo terrorista Jamaat-e-Islami contra Zulfiqar Ali Bhutto no Paquistão. Hoje, não por acaso, aí está a Al-Qaeda-EUA.
Al Qaeda: 'a base' (de dados da CIA)
Não se pode esquecer que a CIA pariu Osama Bin Laden e amamentou seus terroristas durante todos os anos 1980s. O ex-secretário do Exterior da Grã-Bretanha Robin Cook contou à Câmara dos Comuns que a Al Qaeda é e sempre foi, sem nenhuma dúvida possível, criação das agências de inteligência ocidentais. Robin Cook explicou que a Al Qaeda – palavra árabe que significa, literalmente, "a base", foi, na origem, a base de dados de milhares de extremistas islamistas que eram treinados pela CIA e pagos com dinheiro saudita para derrotar os russos no Afeganistão. Naquela época, o Islamic State of Iraq and Syria (ISIS) atendia por outro nome: Al Qaeda no Iraque.
O ISIS está em surto de metástase em velocidade alarmante, na Líbia, ainda sob a liderança de um Abdelhakim Belhadj. A rede Fox News admitiu recentemente que "Mr. Belhadj foi há algum tempo cortejado pelo governo Obama e membros do Congresso", e que foi firme aliado dos EUA na campanha para derrubar Gaddafi. Em 2011, os EUA e o senador McCain elogiavam Belhadj como "heroico combatente da liberdade", e Washington forneceu armas e apoio logístico ao grupo dele. Hoje, o senador McCain diz que a organização comandada por Belhadj, o ISIS, “é provavelmente a maior ameaça que há contra os EUA e tudo que defendemos".
Enquanto Gaddafi viveu, o terrorismo islamista praticamente nem existia, e em 2009 o Departamento de Estado dos EUA dizia que a Líbia era "importante aliada na guerra ao terrorismo".
Hoje, depois da intervenção dos EUA, a Líbia abriga o mais gigantesco arsenal de armas desviadas do planeta, e por suas fronteiras porosas transitam os atores não estatais mais pesadamente armados do mundo – tuaregues separatistas, jihadistas que expulsaram de Timbuktu o exército nacional do Mali e, cada dia mais, milícias do ISIS lideradas pelo antigo aliado dos EUA, Abdelhakim Belhadj.
Bem claramente, o sistema econômico e de democracia direta de Gaddafi foi dos mais profundos experimentos de democracia que os séculos 20-21 conheceram. A destruição da Líbia entrará para a história como uma das mais retumbates derrotas militares que EUA-OTAN sofreram, em todos os tempos.*****
Garikai Chengu é aluno da Harvard University
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