terça-feira, 20 de outubro de 2015

Intervenção militar russa na Síria: Semana 2 - Alternativas para Daesh, o Império e a Rússia


The Saker, Unz Review - Tradução: Vila Vudu

A ofensiva russa na Síria ainda está a pleno vapor e é difícil ver o que está realmente acontecendo ou o quanto ela foi efetiva. Segundo os sírios, 40% de toda a infraestrutura do "Daesh" (quer dizer: ISIS+al-Qaeda+todas as centenas de grupos pequenos que lutam juntos contra o governo sírio) foi destruída.

Fontes russas são menos entusiásticas e falam de uma ofensiva síria bastante lenta e hesitante. Até aqui não há relato de grande vitória, mas dado que os dois lados concordam que a campanha aérea russa é devastadoramente efetiva e altamente destruidora para o Daesh, creio que há boa probabilidade de que os sírios alcancem em breve algum grande sucesso. Se não, então os iranianos sem dúvida têm capacidade para realmente desequilibrar. Por tudo isso, é boa hora para observar que opções terá o Daesh.

Como o Daesh pode adaptar-se às novas circunstâncias

Primeiro, até agora, basicamente o Daesh podia andar à noite em total impunidade, porque a Força Aérea Síria simplesmente não tinha a tecnologia para detectar e atacar unidades do Daesh à noite. Tudo isso agora mudou, porque as aeronaves russas (de asas fixas e de asas rotatórias) engajadas na atual campanha têm total capacidade noturna. Esse é grande problema para o Daesh que agora terá de operar em ambiente extremamente perigoso 24 horas/dia. Solução? Camuflagem e dispersão. As forças do Daesh terão de aprender a dedicar muito mais trabalho para evitar serem detectadas, inclusive detecção por rádio, e terão de evitar o mais possível qualquer grupamento detectável. Não é tarefa fácil, mas muita gente já aprendeu, no passado, a escapar com sucesso a qualquer detecção.

Segundo, as forças do Daesh terão de adaptar-se ao tipo de ataque de guerrilha, de "atacar e correr". Até agora, os dois lados querem engajar-se numa espécie bizarra de "guerra de trincheiras" na qual cada lado tem de cavar e bombardear o outro. Agora que os bombardeiros russos e apoio aéreo próximo podem ser convocados pelos comandantes sírios da linha de frente, aquela guerra 'de trincheiras' ficará muito perigosa para o Daesh, o que provavelmente os forçará a mudar para guerra de emboscadas, mais rápida.

Terceiro, muitas fontes concordam em que, hoje, o Daesh controla cerca de 80% da terra e 20% da população. Isso se deve sobretudo ao tamanho das forças armadas sírias, que estão diluídas em excessiva distensão, para que possam proteger áreas de população rarefeita. O Daesh pode usar isso a favor dele, e tentar mover-se à volta de qualquer força síria atacante, e depois emboscar quaisquer unidades cujos flancos e rotas de suprimento não estejam garantidas. Os sírios terão de ser muito cautelosos, para não caírem numa armadilha de "caldeirão", como os ucranianos na Novorrússia.

Quarto, se as coisas começarem a ficar realmente feias para o Daesh, eles podem começar a usar fronteiras turcas, iraquianas, libanesas e jordanianas para esconder-se das forças sírio/iranianas e usufruir do mesmo tipo de paraíso seguro que os afegãos tiveram no Paquistão durante a invasão soviética.

Quinto, o Daesh pode fazer o que os ucranianos fizeram e forjar uma 'atrocidade russa' sob falsa bandeira, alguma coisa como bombardearem uma clínica ou hospital pediátrico. Podem até tentar um "ataque químico russo contra infelizes refugiados". A imprensa-empresa adorará recolher e distribuir a história, por mais ridiculamente mentirosa que seja.

Finalmente, podemos ter certeza absoluta de que se os militares sírios forem "excessivamente" bem-sucedidos, pelo menos do ponto de vista do Império, nesse caso todos os "amigos da Síria" unirão forças e pedirão uma "conferência de paz" cujo principal objetivo será salvar o Daesh da completa destruição. Foi a estratégia que o Ocidente usou com as conversações de paz de Minsk-1 e Minsk-2, para salvar de completa derrota militar a junta ucronazista.

O mundo já viu inúmeros exemplos de forças como o Daesh (em termos militares, não em termos políticos) que se adaptam a inimigo tecnologicamente superior. No momento presente, a superioridade do governo sírio é basicamente aérea (graças à Força Aérea Russa) e na qualidade e quantidade da inteligência (graças aos Destacamentos para Serviços Especiais [ru. OsNaz] do Serviço de Inteligência Militar [ru. GRU] da Federação Russa no solo e aos 'olhos e ouvidos' russos no céu e no espaço). Mas com o tempo, os russos podem trazer equipamento novo (modernos lançadores de foguetes múltiplos, pesados lança-chamas TOS-1, novos blindados e sistemas de artilharia) que podem fazer real diferença, mas no fim do dia, serão os 'coturnos', no sentido de infantaria, que decidirão o resultado. Será que sírios e curdos serão suficientes para quebrar o Daesh, ou os iranianos farão algum movimento? Honestamente, não sei, mas meu palpite é que Irã e o Hezbollah entrarão na luta. Quanto à intervenção russa, Putin agora já excluiu totalmente essa possibilidade.

Opções recomendadas por políticos norte-americanos

Políticos dos EUA apareceram com duas sugestões para ajudar os "terroristas moderados" deles: entregar mísseis avançados antiaviões ao Daesh; e impor uma zona aérea de exclusão. As duas sugestões me parecem muito pouco práticas e muito perigosas.

Entregar mísseis avançados antiaviões: mas que mísseis avançados?! O Daesh já tem sistemas portáteis de defesa aérea (MANPADS) como os Stingers dos EUA e os russos Iglas. São ótimos mísseis, mas não têm suficiente alcance para atingir aviões russos, a maioria dos quais voam a 5.000 metros de altitude. Sim, podem atingir alvo em voo baixo, como um SU-25 em missão de apoio aéreo próximo ou um helicóptero Mi-24. Essas duas aeronaves foram muito modificadas durante e depois das guerras no Afeganistão e na Chechênia, e são bem protegidas contra esse tipo de ataque. De qualquer modo, mais cedo ou mais tarde uma aeronave russa será atingida por míssil desse tipo e é até possível que seja derrubada. O Daesh já tem essa capacidade; mandar ainda mais MANPADs não faz sentido algum e é muito perigoso, considerando-se o tipo de uso que qualquer grupo terrorista pode dar a essas armas contra aviões civis. A Síria não é o Afeganistão e não estamos nos anos 1980s. Nada indica que MANPADs façam alguma grande diferença nessa guerra, especialmente não contra o tipo de aeronaves que os russos estão usando.

Uma zona aérea de exclusão: e contra quem? Aviões russos? Para começar, seria enlouquecidamente provocativo, e as consequências de os EUA derrubarem avião russo são realmente aterrorizantes. Mas também aí é preciso perguntar onde seria criada a tal zona. Hillary e outros neoconservadores pirados estão sugerindo uma zona aérea de exclusão sobre o norte da Síria. Ok, mas... e se a Rússia, em resposta, declara outra zona aérea de exclusão sobre o resto do país? E aí? Tudo isso, deixando de lado a insanidade, em termos militares, que seria ameaçar um ataque à Rússia; e em termos legais o Império não tem qualquer mandato para declarar zona alguma –mas a Rússia estaria rigorosamente dentro da lei, se declarasse, ela, uma sua zona aérea de exclusão.

E se o Império realmente enlouquecer completamente e declarar que imporá uma zona aérea de exclusão sobre toda a Síria, todos podem ter absoluta certeza de que "repentinamente" aparecerão S-300s em número suficiente para tornar a coisa toda um exercício extremamente perigoso. Por falar nisso, se a coisa chegar àquele ponto, os russos podem declarar que todos os S-300s na Síria são tripulados exclusivamente por militares sírios e estão sob comando sírio e, portanto, podem derrubar aviões dos EUA em total impunidade (como já fizeram no passado, no Vietnã e no Líbano).

Zona aérea de exclusão só faz sentido contra país indefeso; contra país armado com defesa aérea moderna ou semimoderna, é ideia muito perigosa. Quero crer que há gente mentalmente sã no Comando do Estado-maior e no Pentágono, para rejeitar qualquer plano que acabe disparando uma guerra nuclear entre Rússia e EUA.


A "superpotência emburrada"

No momento, os EUA parecem estar absolutamente sem saber o que fazer. Primeiro, acusaram os russos de bombardearem os terroristas "errados". Os russos responderam "ok, é só nos darem uma lista dos 'terroristas do mal', e acabamos com eles". Os norte-americanos não deram. Depois os russos disseram, "ok, então, nesse caso, pelo menos nos deem uma lista dos 'terroristas do bem', e não atiraremos neles". Os norte-americanos não deram! Foi quando os russos começaram a rir abertamente dos norte-americanos, e Putin comentou que os seus "parceiros" norte-americanos "parece que têm geleca no cérebro".

Para piorar, os EUA também rejeitaram um convite dos russos para que mandassem especialistas militares conversar com o estado-maior russo; e agora, parece que até se recusaram a receber uma delegação militar russa chefiada pelo primeiro-ministro Dmitry Medvedev em pessoa!

Não me lembro, em toda a minha vida, de ter ouvido falar de alguma "superpotência emburrada", mas estamos assistindo exatamente a isso.

Até quando Tio Sam vai continuar de cara feia sentado no canto é coisa que ninguém sabe, mas evidentemente não é política sustentável. De fato, nem política é.

Não vejo sinal de os EUA mostrarem coragem para encarar a realidade e agir adequadamente. Não só o governo Obama bate recordes universais de incompetência e mediocridade intelectual; as eleições também pioram as coisas: com psicopatas como Hillary, McCain ou Fiorina a fazer diariamente as mais alucinadas 'declarações', a Casa Branca só faz espernear, tentando escapar de acusações de ser "muito mole com a Rússia".

E dado que nenhum político nos EUA pode expor-se ao risco de informar ao público norte-americano a verdade básica de que os EUA não são onipotentes, os políticos norte-americanos estão presos numa corrida sem fim para provar o quanto são "durões" em questão de "defesa".

Quanto aos europeus, eles provavelmente nem miolos têm para perceber o acima exposto, mas com certeza não têm espinha dorsal para dizer coisa alguma aos seus patrões norte-americanos.

Exatamente como na Ucrânia, o ocidente criou a mais total lambança, e agora não tem nem ideia do que fazer com ela.

Opções dos russos

Diferente do que tenta fazer crer a mídia ocidental, a força russa que está na Síria é ainda muito pequena. A principal razão para isso é que a base aérea próxima de Latakia simplesmente não pode acomodar força russa maior. Tanto quanto sei, não há outros locais na Síria onde a Rússia possa estacionar mais aeronaves.

Sim, o número de missões que os russos já voaram deixou embasbacados os especialistas dos EUA que nunca, em tempo algum, alcançariam números equivalentes com aeronaves e pilotos norte-americanos. Mesmo assim, a força russa é pequena e vulnerável.

Claro, uma opção para os russos seria expandir a pista próxima de Latakia, mas isso consumiria tempo e mais recursos e, tanto quanto posso ver, os russos trabalham para consolidar o aeroporto e a pista que já existem. Mas, como expediente temporário, os russos poderiam usar bombardeios estacionados na Rússia. Se o Irã autorizar a Rússia a reabastecer em voo no espaço aéreo iraniano, ou se o Irã autorizar a Rússia a usar bases iranianas, nesse caso há muitos "pacotes de força aérea" SU-34/SU-35SM ou SU-34/SU-30SM que poderiam engajar-se na Síria. Em teoria, a Rússia poderia até usar seu Tu-22M3 para bombas de gravidade, seu Tu-95MS para usar mísseis cruzadores e seu Tu-160 para servir-se de qualquer das duas armas, ou de ambas.

Não me parece que haja qualquer necessidade militar de usar esses bombardeiros estratégicos no momento atual, mas pode ser boa ideia pô-los em operação, por motivos políticos – para mexer mais alguns 'músculos militares' e mostrar aos neoconservadores que ninguém se meta com a Rússia. Mísseis cruzadores lançados de submarinos também funcionariam, especialmente se lançados de submarino russo no Mediterrâneo que a Marinha dos EUA não tenha visto.

O que é indiscutivelmente verdade é que, depois da primeira revoada de mísseis cruzadores russos, os EUA retiraram seu único porta-aviões – o Theodore Roosevelt – do Golfo Persa.

[Comentário colateral: alguns observadores russos sugeriram que a primeira revoada de mísseis cruzadores russos incluía 26 mísseis porque o 26º presidente dos EUA foi Theodore Roosevelt, nome do único porta-aviões que havia no Golfo Persa, e que aí haveria uma sutil mensagem que os EUA compreenderiam. Sabe-se lá! Pode ser que sim. Pode ser que não. Se for coincidência, é das boas. Certo mesmo é que, por hora, depois de muito, muito tempo, não há nenhum porta-aviões norte-americano no Golfo Persa]

O principal problema com qualquer escalada militar ou envolvimento maior dos russos, é que Putin terá de vender a coisa ao público russo o qual, até agora, o tem apoiado entusiasticamente, mas que, de modo geral, está farto de envolvimentos militares sem data para acabar (por exemplo, muitos russos opõem-se a qualquer intervenção russa no Donbass). Até aqui, o Kremlin está conduzindo operação soberba de Relações Públicas, explicando que o Daesh é ameaça direta a Rússia, e que é melhor para a Rússia "combatê-los lá, do que cá entre nós". Mas essa lógica repousa sobre a ideia de que, para desequilibrar a relação de poder, basta intervenção russa muito limitada. Há uma linha conceitual muito fina entre desequilibrar a relação de poder e fazer guerra 'dos outros' – e aí está algo que o Kremlin vê com absoluta clareza. Deve-se esperar que essa linha não seja jamais ultrapassada.

[assina] The Saker

ATUALIZAÇÃO: A notícia mais recente é que os EUA recusaram a oferta dos russos para coordenarem o resgate de qualquer piloto norte-americano ou russo acidentado ou derrubado sobre a Síria! Pelo que se vê, é mais importante para Obama continuar a fazer cara de emburrado e malcriações contra Putin, do que maximizar as chances de sobrevivência de pilotos norte-americanos. Atitude tão patética, quanto repugnante.

A mais rica democracia africana é hoje paraíso de terroristas patrocinado por EUA-OTAN


Garikai Chengu,* Global Research, Canadá - Tradução: Vila Vudu

Em 1967, o coronel Gaddafi herdou uma das mais pobres nações africanas. Quando foi assassinado, a Líbia era a nação mais rica da África. Antes do início da campanha de bombardeio comandada pelos EUA contra o país, a Líbia tinha o mais alto Índice de Desenvolvimento Humano, a mais baixa taxa de mortalidade infantil e a mais longa expectativa de vida de todo o continente africano.

20 de outubro marca o 4º aniversário do assassinato de Muammar Gaddafi. Foi quando os EUA acabaram de destruir uma das maiores nações de toda a África.
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Hoje, a Líbia é estado destruído. A intervenção militar por exércitos ocidentais sob comando dos EUA gerou o pior cenário imaginável: todas as embaixadas ocidentais foram abandonadas; a região sul do país tornou-se abrigo seguro para os terroristas do ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico; e a costa norte é hoje centro de tráfico de migrantes. Egito, Argélia e Tunísia fecharam suas fronteiras com a Líbia. E isso acontece num quadro dantesco de estupros, assassinatos e torturas generalizados, que completa a descrição de estado destruído até a medula.

Hoje, na Líbia há dois governos que disputam o país, dois parlamentos, dois bandos que disputam o controle do banco central e da empresa de petróleo do país, nenhuma polícia ou exército funcionais, e os EUA agora temem que o ISIS comande campos de treinamento de terroristas em vastas áreas do país.

De um lado, no oeste do país, milícias aliadas de islamistas tomaram o controle da capital Tripoli e de outras cidades chaves, e impuseram ali seu próprio governo, depois de expulsarem um parlamento que havia sido eleito.


Do outro lado, no leste do país, o governo 'legítimo', dominado por políticos anti-islamistas e que vive exilado a 1.200 quilômetros de distância da capital, em Tobruk, já não governa coisa alguma. A democracia que governos ocidentais prometeram aos líbios para depois que o regime do coronel Gaddafi fosse 'mudado', se algum dia existiu, dela hoje não se veem nem vestígios.

Ao contrário do que ensina a mídia-empresa ocidental, a Líbia nunca foi alguma "ditadura militar de Gaddafi"; na verdade, a Líbia de Gaddafi foi um dos estados mais democráticos do mundo.

Sob o sistema de democracia direta de Gaddafi, único em todoo mundo, as instituições tradicionais do governo à ocidental haviam sido desmontadas e abolidas. O poder pertencia ao povo, que o exercia diretamente mediante comitês e congressos populares.

Muito diferente de país controlado por um único homem, a Líbia era nação altamente descentralizada e dividida em várias pequenas comunidades que, na essência, operavam como "miniestados autônomos" dentro de um estado. Esses estados autônomos controlavam seus próprios distritos e tomavam várias decisões, inclusive como alocar os lucros do petróleo e os fundos nacionais orçamentais. Dentro desses miniestados autônomos, os três principais corpos da democracia líbia eram os Comitês Locais, os Congressos Básicos do Povo e os Conselhos Revolucionários Executivos.

Os Congressos Básicos do Povo (CBP) ou Mu’tamar shaʿbi asāsi eram essencialmente o equivalente líbio, em funções, da Câmara dos Comuns no Reino Unido ou da Câmara de Representantes nos EUA. Mas os Congressos do Povo da Líbia não eram constituídos só de representantes eleitos que discutiam e propunham leis em nome do povo; o Congresso admitia a participação direta no processo, de todos os líbios. Estavam em operação em todo o país 800 Congressos Básicos do Povo, e todos os líbios podiam comparecer às reuniões e participar das discussões e tomar decisões em todas as grandes questões inclusive de orçamento, de educação, indústria e de economia em geral.

Em 2009, Gaddafi convidou o New York Times para que enviasse jornalistas que passariam duas semanas no país e observariam a operação da democracia direta líbia. Até o New York Times, que sempre foi crítico furioso do experimento democrático do coronel Gaddafi, reconheceu, pelo menos, que, pelo projeto político nacional

“[Na Líbia] todos estão envolvidos em todas as decisões (...) Dezenas de milhares de pessoas participam de reuniões de comitês locais para discutir e votar questões as mais variadas, de tratados internacionais à construção de escolas."

A diferença fundamental entre os sistemas democráticos ocidentais e a democracia direta da Jamahiriya é que, na Líbia, todos os cidadãos tinham pleno direito de expressar diretamente a própria opinião – não em algum Parlamento de apenas umas poucas centenas de políticos ricos que, pressupostamente, representariam os pobres –, mas em centenas de comitês de cujas reuniões participavam dezenas de milhares de cidadãos. Longe de ser alguma ditadura militar, a Líbia governada pelo coronel Gaddafi foi a mais próspera democracia da África.

Inúmeras vezes, propostas do próprio coronel Gaddafi foram rejeitadas pelo voto popular nos Congressos, que aprovavam o exato oposto do que Gaddafi propusera; e o que foi aprovado foi convertido em lei.

Por exemplo: inúmeras vezes o coronel Gaddafi propôs a abolição da pena de morte, e queria implantar a educação doméstica, em vez das escolas tradicionais. Mas os Congressos do Povo sempre quiseram manter a pena de morte e as escolas tradicionais – e sempre prevaleceu a decisção dos Congressos do Povo. Assim também, em 2009, o coronel Gaddafi apresentou sua proposta para, essencialmente, abolir completamente o governo central e entregar toda a administração dos procedimentos de extração e comercialização do petróleo diretamente às famílias. Os Congressos do Povo também rejeitaram essa ideia.

Por mais de 40 anos, Gaddafi promoveu uma democracia econômica, e usou a riqueza nacionalizada do petróleo para manter programas de bem-estar social muito progressistas, e para todos os líbios. Sob governo de Gaddafi, os líbios gozaram não só de atendimento à saúde e educação universais gratuitos, mas também de eletricidade gratuita e empréstimos sem juros.

Hoje, graças à intervenção de EUA-OTAN, o setor de saúde já praticamente nem existe, depois que milhares de médicos e enfermeiros filipinos empregados do estado líbio fugiram do país; universidades públicas que havia em todo o país estão fechadas; e frequentemente falta energia elétrica na antes vibrante Trípoli.

Diferentes dos cidadãos ocidentais, os líbios não votavam a cada quatro anos para trocar o presidente, e eleger parlamentos que, por mais que se troquem os nomes, são invariavelmente povoados de gente rica que ganham um direito pressuposto democrático de defender os direitos dos pobres contra os seus próprios direitos de ricos. Líbios comuns tomavam suas próprias decisões de política exterior, política doméstica e política econômica, eles mesmos.

O bombardeio dos EUA em 2011 contra a Líbia, não destruiu apenas a infraestrutura da democracia líbia. Os EUA também trabalharam diretamente para promover Abdelhakim Belhadj, então líder de um grupo terrorista chamado ISIS, o mesmo grupo que, hoje, torna absolutamente impossível qualquer democracia na Líbia.

O fato de que os EUA têm longa e desgraçada história de apoiar grupos terroristas no Norte da África e no Oriente Médio só surpreenderia quem viva de 'informar-se' por noticiários de jornal e televisão e aplicadamente se dedique a não conhecer diretamente nenhum fato.

A primeira vez que a CIA aliou-se a islamistas extremistas foi ainda durante a Guerra Fria. Naquele momento, os EUA viam o mundo por uma equação não 'simples', mas caolha: de um lado, a União Soviética e o nacionalismo terceiro-mundista, que os EUA consideravam arma soviética; de outro lado, as nações ocidentais e o extremismo islamista, chamado "Islã Político", que os EUA viam como seu aliado na luta contra a União Soviética.

Desde então, os EUA já usaram a Fraternidade Muçulmana no Egito contra a expansão soviética; o Islã Sarekat contra Sukarno na Indonésia; e o grupo terrorista Jamaat-e-Islami contra Zulfiqar Ali Bhutto no Paquistão. Hoje, não por acaso, aí está a Al-Qaeda-EUA.


Al Qaeda: 'a base' (de dados da CIA)

Não se pode esquecer que a CIA pariu Osama Bin Laden e amamentou seus terroristas durante todos os anos 1980s. O ex-secretário do Exterior da Grã-Bretanha Robin Cook contou à Câmara dos Comuns que a Al Qaeda é e sempre foi, sem nenhuma dúvida possível, criação das agências de inteligência ocidentais. Robin Cook explicou que a Al Qaeda – palavra árabe que significa, literalmente, "a base", foi, na origem, a base de dados de milhares de extremistas islamistas que eram treinados pela CIA e pagos com dinheiro saudita para derrotar os russos no Afeganistão. Naquela época, o Islamic State of Iraq and Syria (ISIS) atendia por outro nome: Al Qaeda no Iraque.

O ISIS está em surto de metástase em velocidade alarmante, na Líbia, ainda sob a liderança de um Abdelhakim Belhadj. A rede Fox News admitiu recentemente que "Mr. Belhadj foi há algum tempo cortejado pelo governo Obama e membros do Congresso", e que foi firme aliado dos EUA na campanha para derrubar Gaddafi. Em 2011, os EUA e o senador McCain elogiavam Belhadj como "heroico combatente da liberdade", e Washington forneceu armas e apoio logístico ao grupo dele. Hoje, o senador McCain diz que a organização comandada por Belhadj, o ISIS, “é provavelmente a maior ameaça que há contra os EUA e tudo que defendemos".

Enquanto Gaddafi viveu, o terrorismo islamista praticamente nem existia, e em 2009 o Departamento de Estado dos EUA dizia que a Líbia era "importante aliada na guerra ao terrorismo".

Hoje, depois da intervenção dos EUA, a Líbia abriga o mais gigantesco arsenal de armas desviadas do planeta, e por suas fronteiras porosas transitam os atores não estatais mais pesadamente armados do mundo – tuaregues separatistas, jihadistas que expulsaram de Timbuktu o exército nacional do Mali e, cada dia mais, milícias do ISIS lideradas pelo antigo aliado dos EUA, Abdelhakim Belhadj.

Bem claramente, o sistema econômico e de democracia direta de Gaddafi foi dos mais profundos experimentos de democracia que os séculos 20-21 conheceram. A destruição da Líbia entrará para a história como uma das mais retumbates derrotas militares que EUA-OTAN sofreram, em todos os tempos.*****

Garikai Chengu é aluno da Harvard University

Rússia e Síria usam 'nova estratégia' de guerra contra o Estado Islâmico, segundo analista


As ações da Força Aérea russa na Síria são muito eficazes, tornando possível que o Estado Islâmico seja logo derrotado e que os refugiados sírios consigam voltar para casa, afirma um analista político da George Washington University.

As forças armadas de Rússia e Síria estão utilizando novos métodos de combate contra militantes do Estado Islâmico, afirmou o analista político Nabil Michael em entrevista à Press TV.

"Nas duas guerras do Golfo (Pérsico), a técnica era adotar uma campanha de bombardeio pesado que duraria um mês ou seis semanas e então as forças terrestres entrariam."

Neste caso, no entanto, "as forças armadas da Síria e os conselheiros russos não esperaram cinco, seis semanas para o início de um avanço terrestre; muito pelo contrário. Apenas alguns dias depois, deram sequência ao que as forças aéreas conquistaram, varrendo o cenário", explicou Michael.

O analista disse ainda que a Rússia posicionou sua estrutura de estratégia e força de um modo que tornou-se um ímã para os esforços de outras forças.

"Milícias xiitas e curdas, sunitas e cristãos vão considerar a presença russa atrativa. É por isso que espero a rendição das tropas do Estado Islâmico. Em breve, veremos muitas cenas de rendição nas telas de TV e ouviremos sobre isso no rádio", afirmou o especialista.

Michael também afirmou que há esforços coordenados entre diferentes milícias — curdas, xiitas, sunitas e cristãs — com soldados russos/sírios/iraquianos, e que isso ajudará a dar mais amplitude à campanha.

Sputniknews

Rusia se prepara para utilizar sus bombas más modernas en Siria


Cazabombardero ruso Sujoi Su-24, lanza misiles.

Rusia se prepara para poner a prueba, en un futuro próximo, una bomba de alta precisión, en sus ataques aéreos contra los terroristas en Siria, según un informe.

El portal web israelí DEBKAfile, en un informe publicado este lunes, sobre la continuación de la campaña antiterrorista de Rusia en Siria, afirma que la bomba a probar es la KAB-250 perteneciente a la nueva generación de armas de la Fuerza Aérea rusa y diseñada para ser lanzada desde el depósito de fuselaje de los cazas de combate de quinta generación T-50 (PAK-FA).

La bomba rusa de alta precisión, que mide más de 3 metros de largo y 285 mm de diámetro y pesa 256 kg., se fabrica en dos versiones: una para ser guiada por satélite y la otra, por láser.

Además este aparato explosivo de última generación puede ajustarse a diferentes velocidades y trayectorias y tiene capacidad de soportar cualquier condición climática y funcionar en cualquier momento del día, de acuerdo con varios informes.


Bomba guiada de alta precisión KAB-250, de fabricación rusa.


La KAB-250, que puede portar una carga de 127 kilos de explosivo rompedor, tiene una ojiva de fragmentación diseñada para destruir material ligeramente vulnerable, vehículos sensibles y otras instalaciones enemigas. Además, esta bomba puede ser lanzada de forma individual o en salvas.

DEBKAfile, a continuación, apunta que la Aviación rusa utiliza actualmente una versión anterior a la KAB-250, es decir la KAB-500 PGM, para atacar las posiciones del grupo terrorista EIIL (Daesh, en árabe) en el territorio sirio.

El pasado 30 de septiembre, Rusia puso en marcha una serie de operaciones aéreas en Siria contra las posiciones de los grupos terroristas, atendiendo a una solicitud del presidente sirio, Bashar al-Asad.

A partir de entonces, los aviones militares rusos han realizado ataques contra más de 450 objetivos de Daesh; en paralelo, los buques de guerra rusos también han participado en las ofensivas: el 7 de octubre lanzaron misiles teledirigidos desde el mar Caspio contra posiciones de los terroristas en Siria.

Según ha informa este lunes el portavoz del Ministerio ruso de Defensa, Igor Konashenkov, recientes ataques aéreos de Rusia en Siria han obligado a los terroristas de Daesh a huir de sus posiciones en los alrededores de Damasco (capital).

La ofensiva rusa tiene preocupados al régimen de Israel y Estados Unidos, que la han criticado alegando que “Rusia no tendrá éxito”.

mpv/ncl/hnb - HispanTv

Fuerzas yemeníes matan a más de doce soldados saudíes


El Ejército yemení, apoyado por comités populares, ha acabado este lunes con más de una docena de tropas saudíes en la región de Jizan, suroeste del reino árabe.

Según informa la cadena de televisión yemení Al-Masirah, las fuerzas yemeníes han matado a 13 soldados saudíes en una ofensiva en la región de Al-Jobe, a unos kilómetros al sur de la capital saudí, Riad.

Los funcionarios saudíes hasta el momento no han hecho ningún comentario respecto a lo ocurrido.

Por otra parte, el Ejército y los miembros del movimiento popular yemení Ansarolá, en su avance sobre la región de Al-Asir, en el suroeste de Arabia Saudí, han destruido un número de tanques y vehículos blindados en la ciudad de Al-Rabua.

Según la fuente, esta operación se ha producido después de que las fuerzas yemeníes lanzaran siete cohetes contra un complejo gubernamental en la mencionada ciudad. No ha habido informes inmediatos sobre posibles bajas y daños materiales que podría haber provocado este ataque.

En la misma jornada, los soldados yemeníes han disparado una andanada de proyectiles contra un campamento militar en la localidad de Jabal al-Dud, en la provincia de Jizan, haciendo que las fuerzas saudíes abandonen la zona.

El 26 de marzo, Arabia Saudí emprendió una campaña militar contra Yemen, sin el aval de la Organización de las Naciones Unidas (ONU), pero con luz verde de EE.UU., en un intento por restaurar el poder del dimitido y prófugo presidente yemení Abdu Rabu Mansur Hadi, un fiel aliado de Riad.

En tanto, el enviado especial de la Organización de las Naciones Unidas (ONU) para Yemen, Ismail Ould Sheij Ahmed, ha anunciado que las partes involucradas en el conflicto yemení se reunirán a finales de este octubre.

El portavoz de Hadi, Rayeh Badi, dio a conocer el domingo la disposición del renunciante gobierno yemení a sentarse a la mesa de diálogos con Ansarolá.

Por otra parte, Arabia Saudí, cuya campaña militar contra Yemen todavía no ha alcanzado su objetivo de restaurar en el poder a Hadi, ha defendido la postura del fugitivo presidente yemení para dialogar con Ansarolá, según indica la cadena saudí Alarabiya, citando a las declaraciones de una autoridad saudí.

Conforme a las últimas cifras anunciadas por la Coalición Civil de Yemen, al menos 6090 yemeníes —entre ellos, 1698 niños y 1038 mujeres—, han perdido la vida como consecuencia de la agresión saudí, y unos 13 552 han resultado heridos.

mpv/ncl/hnb - HispanTv

Fuerzas venezolanas detienen en tres meses a 1852 personas por distintos delitos


Ministro venezolano para Relaciones Interiores, Justicia y Paz, Gustavo González López.

Unas 1852 personas han sido detenidas por diversos delitos en Venezuela a través de la Operación de Liberación y Protección del Pueblo (OLP), según las fuentes estatales.

“Durante los 96 días que lleva la OLP se han realizado 100 operativos, en los cuales se han desplegado 67.939 funcionarios y logrado la captura de 1852 personas por diferentes delitos”, anunció el lunes el ministro venezolano para Relaciones Interiores, Justicia y Paz, Gustavo González López, durante una rueda de prensa en Caracas, la capital.

Además aseveró que durante esas operaciones, en todo el país, la OLP ha logrado el desmantelamiento de 109 bandas, la incautación de 1272 armas, recuperación de 207 vehículos y 353 motos. También se han incautado 36.269 armas de varios calibres.

En esa rueda de prensa, transmitida por Venezolana de Televisión, González López destacó asimismo la capacidad que ha tenido la OLP de construir un sistema de inteligencia territorial que ha permitido la coordinación directa con las autoridades locales junto con unidades especiales conformadas por la unión cívico-militar-policial que han permitido actuar con gran contundencia en esas áreas.

Por otra parte confirmó la detención de 36 paramilitares en territorio venezolano en el marco de las operaciones de la OLP.

Como el más recuente, González López informó el lunes de la detención de dos paramilitares incursos en ataques a militares venezolanos, identificados como Oswaldo Antonio Cárdenas Patiño, alias ‘Carro loco’, y Humberto Guzmán Ramírez Angarita, alias ‘Jairo’ o ‘Gasparín’.

La mencionada operación se abrió tras las preocupaciones por la presencia de paramilitares colombianos en el país.

Por ello, el dignatario venezolano ordenó el cierre de la frontera y decretó el estado de excepción en varios municipios a lo largo de la frontera con Colombia.

haj/rha/mrk - HispanTv

‘Alemanes se están dando cuenta’: piden salida de tropas de EEUU y Reino Unido


Un soldado estadounidense durante un ejercicio militar en Hohenfels, Alemania.

Los alemanes recogen firmas en contra de la presencia de las tropas estadounidenses y británicas en Alemania, pidiendo su retirada del país germano.

La petición, rubricada hasta ahora por más de 43.000 personas, fue creada por Christoph Horstel, publicista, consultor y asesor del Gobierno alemán.

Horstel recuerda en su demanda que un total de 58.000 soldados de la Organización del Tratado del Atlántico Norte (OTAN), incluyendo 13.000 británicos y 42.000 estadounidenses, se encuentran actualmente en Alemania.

La solicitud argumenta que una presencia militar tan excesiva de dos países miembros de la Alianza Atlántica —que representa un 91 % de la total presencia extranjera en el país germano— se puede considerar una amenaza a la propia seguridad de Alemania.

Los militares norteamericanos se desplegaron por primera vez en Alemania después de la Segunda Guerra Mundial (1939-1945) con el fin de impedir una invasión de la extinta Unión Soviética.

Sobre la petición, Horstel entrevistado por la agencia rusa de noticias Sputnik, explicó que “EE.UU. tiene fuerzas en 156 países con más de 800 bases. Es su hábito. La gente protesta porque no quiere que Alemania se involucre en otro conflicto armado”.

“Cada vez más alemanes se están dando cuenta de que EE.UU. está utilizando la base aérea de Ramstein (oeste) para disfrutar de guerras en el extranjero”, dijo, al añadir que Washington está implementando sus políticas militares agresivas en 124 países desde Stuttgart, en el suroeste de Alemania.


Base aérea de Ramstein, ubicada en el oeste de Alemania.


En este contexto, detalló que de acuerdo con el derecho internacional, desde el momento del lanzamiento de los bombarderos de Estados Unidos desde la base alemana, Berlín se convierte inmediatamente en un participante en cualquier guerra que la Casa Blanca realice en otros lugares.

Asimismo, dejó claro cómo la OTAN no cumplió con sus compromisos respecto a Alemania y cómo gastó millones de dólares estadounidenses para desestabilizar Ucrania con el fin de llegar más cerca que nunca a las fronteras de la Federación Rusa.

Horstel aseveró que los alemanes no quieren participar en otra guerra liderada por EE.UU., haciendo hincapié en que los europeos, incluido los germanos, quieren ahora una Rusia fuerte, ya que puede contradecir y desafiar a EE.UU., al agregar que en el caso de que esto no consiga, “todos vamos a terminar como esclavos” de EE.UU.

La OTAN no pierde el tiempo para aumentar su presencia militar, en particular en Europa Este —es decir cerca de los limítrofes rusos—, de este modo, el secretario general de la Alianza Atlántica, Jens Stoltenberg, anunció el pasado mes de abril su decisión de aumentar las fuerzas de la OTAN de 13.000 a 30.000 en Europa y crear una fuerte vanguardia de reacción rápida con 5000 soldados.

Mientras tanto, el diario estadounidense The New York Times informó el pasado junio que Estados Unidos tiene planeado suministrar armas pesadas a unos 5000 soldados norteamericanos desplegados en los países bálticos y en el este de Europa: Letonia, Lituania, Estonia, Polonia, Rumanía, Bulgaria y supuestamente Hungría.

zss/rha/mrk - HispanTv

Impacto geopolítico: Cómo Argentina y Rusia forjan una nueva etapa de relaciones internacionales


Cristina Fernández de Kirchner y Vladímir Putin durante una reunión en el Kremlin en abril de 2015 / Ria Novosti

Casi siete décadas después del restablecimiento de las relaciones diplomáticas, Rusia y Argentina gozan de una estrecha colaboración bilateral en numerosos ámbitos; una colaboración que viene especialmente reforzada por las recientes visitas oficiales de Vladímir Putin a Buenos Aires y de Cristina Fernández de Kirchner a Moscú, durante las cuales se firmaron importantes acuerdos estratégicos.

En los últimos años, las relaciones entre Rusia y Argentina, que fueron restablecidas en 1946, han cobrado un nuevo impulso gracias a las fructíferas visitas oficiales de los mandatarios de ambos países.

La presidenta de Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, realizó su primera visita oficial a Moscú en 2008. Durante esta visita, se firmó la Declaración Conjunta del Establecimiento de Relaciones de Asociación Estratégica, en el desarrollo de la cual los ministros de Exteriores suscribieron el Plan de Acción en 2009 y una versión actualizada del mismo en 2011.

En abril de 2010, el entonces presidente de Rusia, Dmitri Medvédev realizó una visita oficial a Argentina, durante la cual se firmó una declaración conjunta y una serie de acuerdos bilaterales sobre la cooperación en el ámbito de la energía atómica, el espacio, la cultura, el deporte, el sector forestal, el ámbito ferroviario, etc.

En 2012 y 2014 el presidente Vladímir Putin y su homóloga argentina Cristina Fernández de Kirchner mantuvieron una conversaciones telefónicas y, en junio de 2012, se reunieron al margen de la cumbre del G-20 en Los Cabos, México. El año siguiente, cuando Cristina Fernández participó en la cumbre del G-20 en San Petersburgo, durante una breve reunión con Vladímir Putin se consiguió un acuerdo para activar la cooperación bilateral en distintos ámbitos, incluido el de hidroelectricidad y de la energía atómica.

Visita oficial de Vladímir Putin a Argentina en 2014

El 12 de julio de 2014, en el marco de su gira histórica por Latinoamérica, Vladímir Putin realizó una visita oficial a Buenos Aires. Como resultado de esa visita, se firmaron varios acuerdos sobre colaboración en el ámbito legal, el uso de la energía atómica con fines pacíficos y los medios de comunicación.

"Argentina es uno de los socios más importantes de Rusia en América Latina", afirmó Putin tras reunirse con Cristina Fernández, añadiendo que ambos países "tienen visiones semejantes en la arena internacional".

Visita oficial de Cristina Fernández de Kirchner a Rusia en 2015

La presidenta argentina realizó una visita oficial a la Federación de Rusia entre el 21 y 23 de abril de 2015, con el objetivo de profundizar la colaboración entre ambos países en distintos ámbitos. Su visita se saldó con un gran número de acuerdos bilaterales, incluido el ámbito de la energía nuclear, el hidroeléctrico, y el sector de gas y petróleo, entre otros.

Además de los contactos directos entre los líderes de ambas naciones, se realizaron de forma sistemática reuniones entre los cancilleres de Rusia y Argentina. También se llevaron a cabo unas consultas entre Ministerios de Exteriores dedicadas a un amplio abanico de temas. Asimismo, se desarrollaron contactos interparlamentarios e interministeriales; se reforzaron incluso las relaciones directas entre regiones de Rusia y provincias de Argentina, como, por ejemplo, entre las ciudades de San Petersburgo y Mar del Plata.

Colaboración económico-comercial

En cuanto a la colaboración económico-comercial, Argentina es uno de los socios principales y más antiguos de Rusia en América Latina. Según datos del Servicio Federal Ruso de Aduanas, en el ámbito del comercio de mercancías en 2014 el volumen del comercio exterior alcanzó 1338,2 millones de dólares, mientras que las exportaciones y las importaciones sumaron, respectivamente, 221,5 y 1116,7 millones de dólares.

De acuerdo con datos del Instituto Nacional de Estadística y Censos de la República Argentina (INDEC), el volumen del comercio exterior en 2014 alcanzó 1997,9 millones de dólares, incluidos 722,8 millones de exportaciones argentinas a Rusia y 1275,1 millones de importaciones rusas a Argentina. La causa principal de las discrepancias en las cifras consiste en el suministro del petróleo y sus derivados a través de terceros países, señala el informe del Ministerio de Desarrollo Económico de Rusia.

Exportaciones rusas

Según los resultados de 2014, en las exportaciones rusas a Argentina predominan la producción de la industria química y productos minerales. Entre otras categorías de la exportación se encuentran metales y sus derivados, maquinaria y medios de transporte, madera y productos de celulosa y papel.

Entre las mercancías principales de la exportación, a las que corresponde el 92% del total, están los productos petroleros, fertilizantes minerales, ferroaleaciones, productos planos laminados de acero aleado, caucho sintético y azufre.

Importaciones rusas

La categoría principal de las mercancías importadas a Rusia son productos alimenticios y materias primas de agricultura. También se importan productos de la industria química, maquinaria y medios de transporte, metales y sus derivados.

Entre las principales mercancías importadas está la carne y subproductos alimenticios, frutos, productos lácteos, medicamentos, tortas de prensa, cacahuetes, pescado congelado y gambas, camiones, materias primas de tabaco, vinos.

Formas institucionales de cooperación económico-comercial

El organismo institucional de la cooperación económico-comercial entre Rusia y Argentina es la Comisión Intergubernamental Ruso-Argentina para la Cooperación Económica-Comercial y Científico-Tecnológica, cuya actividad se rige por el acuerdo bilateral sobre la creación de dicha comisión firmado el 25 de mayo de 1993. Se han celebrado 11 sesiones de la comisión hasta la fecha, la última tuvo lugar el 15 y 16 de septiembre de 2014 en Moscú.

En el marco de los círculos de negocios, la cooperación se realiza gracias a los Consejos Empresarios Argentino-Ruso y Ruso-Argentino. La última reunión conjunta de los consejos se celebró en junio de 2013 en Buenos Aires.

Entre los últimos avances conseguidos en distintos ámbitos de colaboración entre Rusia y Argentina se pueden destacar los siguientes:

Colaboración en el ámbito de energía nuclear

Durante la última visita de Cristina Fernández de Kirchner a Moscú, se firmó un memorando de entendimiento entre el Ministerio de Planificación Federal, Inversión Pública y Servicios de Argentina y la Corporación Estatal De Energía Atómica Rosatom, sobre la cooperación en la construcción de una central nuclear en el territorio de Argentina. Este documento establece "consultas sobre la cooperación para la construcción de la sexta central nuclear de diseño ruso basado en el tipo de reactor vver-1000 con una capacidad total de hasta 1200mW", precisa un comunicado publicado por la Sala de Prensa.

Asimismo, se firmó un acuerdo preliminar de desarrollo de proyecto para la construcción de una nueva central nuclear entre Nucleoeléctrica Argentina Sociedad Anónima (NASA) y RUSATOM Overseas (RAOS), según el cual, las partes realizarán negociaciones para la contratación y la construcción de una central con un reactor de uranio enriquecido y agua liviana. En concreto, el convenio establece un "cronograma de actividades para preparar e implementar los contratos para el diseño y la construcción de la sexta planta de este tipo en territorio nacional", informa la Sala de Prensa.

Colaboración en el ámbito de la energía hidroeléctrica

En el ámbito de la energía hidroeléctrica, los dos países firmaron un protocolo de intenciones sobre la implementación del proyecto Chihuido I en Argentina. Según explicó el ministro de Planificación Federal, Inversión Pública y Servicios de Argentina, Julio De Vido, se trata de la construcción de una central hidroeléctrica en la provincia de Neuquén, una obra "que tiene un monto total de casi 2.000 millones de dólares".

La presa contará con cuatro turbinas, y tendrá una potencia instalada de 637 MWh, lo cual permitirá alcanzar una energía media anual de 1.750 GWh, comunicó el Ministerio de Planificación Federal, Inversión Pública y Servicios de Argentina. "El aporte de energía eléctrica que realizará al Sistema Argentino de Interconexión (SADI) permitirá al país un importante ahorro debido al cambio en la matriz energética, que disminuirá la generación de energía térmica, para incrementar la participación hidroeléctrica", anunció el Ministerio en un comunicado.

Colaboración en el ámbito del gas y el petróleo

La petrolera rusa Gazprom y la empresa argentina Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), firmaron un acuerdo de cooperación en la esfera de energía y formación de personal. En concreto, se acordó trabajar en conjunto para llevar a cabo "nuevos proyectos de exploración geológica, extracción, transporte de hidrocarburos, generación de energía en territorio argentino, estudio de mercado del sector del petróleo y gas, y construcción, mantenimiento y modernización de la infraestructura asociada al transporte de gas y petróleo en Argentina", según la Sala de Prensa.

Colaboración en el ámbito de la defensa

Durante la visita de la presidenta argentina a Rusia, los Ministerios de Defensa de ambos países firmaron un convenio sobre cooperación militar, que tiene como objetivo desarrollar la cooperación bilateral a través de intercambios de experiencias y opiniones en distintos temas, visitas, seminarios, formación, búsqueda y rescate.

Asimismo, se firmó un acuerdo entre los gobiernos de Rusia y Argentina sobre la protección mutua de la información secreta en el ámbito de la cooperación técnico-militar, que busca facilitar el desarrollo de la cooperación en materia de producción conjunta de equipos de uso militar y en el campo tecnológico, formación de especialistas, ejecución de trabajos científicos de investigación y de diseño experimental conjuntos, entre otras iniciativas.

Colaboración en el ámbito de los medios de comunicación

Durante la visita de Putin a Argentina, se firmó el convenio sobre el inicio de la transmisión en abierto de la señal de RT en español en el país. "Estamos muy agradecidos con Argentina por difundir la señal del canal RT en español", anunció el presidente ruso.

Es la primera vez que un medio de comunicación extranjero entró en la red de televisión estatal de Argentina, que tradicionalmente ha acogido sólo a canales estatales e interestatales con participación argentina.

De acuerdo con dicho convenio, RT comenzó a emitir su señal en Argentina el 9 de octubre de 2014. Vladímir Putin declaró que gracias a la emisión en abierto de RT, traerá consigo a ese país "una fuente de información de peso, sólida y de confianza". "Para nosotros esta incorporación de la televisión rusa en español para nuestra Televisión Digital Argentina es de una valía impresionante", expresó la presidenta argentina a RT. Según la mandataria argentina, se trata "no solo de escuchar una sola campana, sino todas las campanas para elaborar la propia opinión". "Es multilateralismo en serio, es pluralidad en serio y diversidad", concluyó.

Además de los sectores de colaboración bilateral ruso-argentina mencionados, ambos países también han firmado este año acuerdos bilaterales en los ámbitos del comercio, la agricultura, la exploración y la utilización del espacio ultraterrestre para fines pacíficos, el turismo, las comunicaciones, la cultura, el medio ambiente y la financiación a las exportaciones, entre otros.

Proximidad de Rusia y Argentina en la arena internacional

Una de las bases del desarrollo activo del diálogo político bilateral consiste en la afinidad de los dos países en los problemas clave de la actualidad. Tanto Rusia como Argentina abogan por una resolución basada sobre los principios de la multilateralidad, la supremacía del derecho internacional, la garantía del papel central de la ONU a los asuntos mundiales.

Durante su visita a Moscú, Cristina Fernández de Kirchner agradeció el apoyo que Rusia había brindado históricamente en la cuestión de las islas Malvinas, para que "se cumpla la resolución de la ONU en cuanto a que el Reino Unido se avenga a sentarse en una mesa a dialogar sobre la cuestión de soberanía" del archipiélago. Asimismo, ha condenado "la injerencia en los asuntos internos de otros países", añadiendo que "la ONU, la diplomacia y la política son los únicos caminos para resolver cuestiones entre los países".

"Rusia siempre ha abogado por solucionar la disputa de soberanía sobre las islas Malvinas en la mesa de negociaciones directas entre Argentina y el Reino Unido", expresó Vladímir Putin durante su visita a Buenos Aires en 2014.

Otro punto importante del discurso de la mandataria argentina en Moscú fue el agradecimiento al apoyo que Rusia ofrece continuamente a Argentina en su lucha contra los fondos buitres. La presidenta expresó su apoyo al presidente ruso y al trabajo que estaban desarrollando conjuntamente con el Grupo de los 77 más China y otros países de la ONU en la redacción de una convención internacional en materia de reestructuración de la deuda soberana.

"Rusia ha resurgido como un nuevo actor importantísimo en materia global, no solo en términos económicos, o como proveedor de energía, sino también como un actor político", expresó Cristina Fernández en su discurso en el Foro Empresario argentino-ruso durante su visita a Moscú. Asimismo, la mandataria afirmó que concebía la presencia de su delegación en la capital rusa "más allá de los lazos de amistad tradicionales que ha tenido la Argentina con Rusia, más allá de muchos puntos en común".

Con respecto al tema de la integración de América Latina, la mandataria argentina insistió en un reciente discurso en que este proceso debe profundizarse, "porqué allí está el lugar y el destino" de la región. "Vamos a tener que buscar una nueva forma alternativa", expresó la presidenta al dirigirse al expresidente brasileño Lula durante la inauguración de la Unidad de Pronta Atención (UPA) de la localidad bonaerense de José C. Paz. "Vos tenés que ser el embajador para que Argentina integre el BRICS y ya no sea más BRICS sino BRICSA", anunció Kirchner.

Actualidad RT

EE.UU. en decadencia: ¿una bomba a punto de explotar?


El escritor británico Sam Gerrans analiza los motivos por los cuales EE.UU. es una "bomba que espera para explotar" y por qué, aunque las alarmas hayan sonado más de una vez, aún no lo ha hecho. Sus perspectivas no son buenas. Solo falta que llegue el momento adecuado.

Importantes son los problemas que aquejan a una sociedad estadounidense que camina hacia la autodestrucción. El británico Sam Gerrans los ha enumerado advirtiendo de que, aunque hoy parezcan variables normales, integran un combo que puede causar la detonación.

1 - Destrucción de las fuentes de alimentación

La disminución del número de granjas ha sido considerable en las últimas décadas: 2012 ya solo quedaban 2 millones. Además, únicamente el 2 por ciento de la población vive en ellas. Si a esto se le suma que la distribución de alimentos requiere de una logística de miles de kilómetros, cualquier problema provocará un peligroso desabastecimiento.

2 - Sistema económico débil

Pura espuma. Así lo definió Gerrans, según recoge RT: desde que se desprendió definitivamente del patrón oro, en 1973, el valor de la moneda estadounidense ha estado atada al petróleo y su valor ha sido protegido con guerras. ¿Qué ocurriría si EE.UU. pierde el monopolio en esta materia? Su decadencia será inevitable. Según el analista, todas las potencias económicas colapsaron tras haberse mantenido 37 años de media. Si se siguen estos parámetros, Washington ya debería haberse quedado sin combustible. Cuando esto ocurra, el éxodo hacia el yuan chino no podrá detenerse.

3 - Aumento del consumo de drogas

En solo diez años, la utilización de antidepresivos ha aumentado un 400 por ciento. Muchos de ellos son inhibidores de la serotonina, es decir, de la sustancia presente en las neuronas que cumple la función de neurotransmisor. La propia sociedad ya fue, más de una vez, víctima de este fenómeno: muchos de los ataques a tiros en lugares públicos fueron cometidos por personas que dejaron el consumo de esos medicamentos de manera forzada o repentina.

A partir de esta realidad, el escritor subraya que la producción de estas drogas está dominada por algunas compañías que, a su vez, dependen de importantes sistemas de logística para su producción y distribución, por lo que, al igual que con los alimentos, si esto fallara, se interrumpiría el abastecimiento y las consecuencias serían muy riesgosas.

4 - Decadencia moral

En la década de 1930, pese a todos sus problemas, la gente sabía qué estaba bien y qué estaba mal. Sin embargo, esta concepción moral se perdió hasta llegar a la sociedad indisciplinada y egoísta de la actualidad. Como ejemplo, Gerrans recuerda las ventas del denominado Black Friday de 2013: en él participaron 250 millones de personas, que gastaron 61.000 millones de dólares, la mayoría, en productos no esenciales. Las estampidas y las muertes no suelen ser ajenas a esta locura. El problema, señala el autor, es que esto ya se ve como algo normal.

¿Hacia dónde correr cuando el sistema colapse? La respuesta tampoco es fácil de encontrar. En el pasado, ejemplificó el autor, durante la Gran Plaga de Londres de 1965, la población huyó hacia los campos en los que se producían alimentos. Hoy, esos lugares ya no están disponibles, ya que pertenecen a grandes corporaciones.

Aunque este no sea, tal vez, el escenario previsto para EE.UU., Gerrans asegura que se reúnen "todos los ingredientes" para una "descomposición completa" con "muertes a gran escala". La "volatilidad" está en el "pastel", incluso, en "el que hoy se ve como normal". Solo resta aguardar que el detonador se active y comience la imparable devastación.

Actualidad RT

'Acordos' 'comerciais' 'Trans': Contribuição de Obama para a privatização dos Estados pelas empresas globais


Eric ZUESSE,[1] Strategic Culture Foundation -Tradução: Vila Vudu

"Todos os jornais nacionais britânicos são hoje de fato verdadeiros guardiões dessa mesma pequena aristocracia nacional (...), contra o interesse público. – Existem para proteger aquela aristocracia contra o interesse público (porque existem para enganar a opinião pública, como fazem colunistas como Polly Toynbee)."

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Recentemente, apareceu a questão dos lucros que passariam a fluir para empresas internacionais graças aos 'acordos' 'comerciais' propostos por Obama, que encorajam a privatização de serviços sociais hoje administrados pelo Estado, e a extinção dos sindicatos de trabalhadores. Infelizmente, a coisa foi apenas lembrada de passagem, por Polly Toynbee, colunista do Guardian. OK. Melhor que nada.

A colunista é neta do famoso historiador britânico Arnold Toynbee. A perspectiva dela sobre o tema parece estar em perfeita harmonia com a das grandes empresas da Grã-Bretanha – sempre empenhadamente favoráveis à Parceria Transatlântica para Comércio e Investimento [ing. Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP) – a proposta de 'acordo' para comércio e investimentos que Obama apresentou à UE], e também a a Grã-Bretanha ser incluída na UE (e ao tal 'acordo' proposto por Obama).

Na Grã-Bretanha, o número de famílias da aristocracia e que servem à aristocracia (o pessoal que administra as empresas internacionais e que trabalham para aquelas famílias), são poucos em números, de tal modo que os indivíduos que alcançam alguma voz pública (por exemplo, empregando-se como colunista no Guardian), tendem a ser bem avaliados pela aristocracia que, em termos gerais, é avessa a democracias.

Na coluna mais recente, Toynbee critica os que se opõem à Parceira Transatlântica de Obama e a os britânicos se integrarem à UE, chamando-os de populistas "eurofóbicos", gente que "desavergonhadamente" se opõe à UE e à tal 'parceria' de Obama.

Em sua coluna, ela apresenta o interesse público como principal problema – interesse público, para ela, basicamente, são os interesses de gangues mafiosas controladas por demagogos –, e a aristocracia como a solução. A atitude dela ante a democracia (tudo que seja público) é idêntica à de Barack Obama, como ele a expressou privadamente dia 27/3/2009, a altos executivos de Wall Street reunidos na Casa Branca: "Meu governo é a única coisa entre vocês e a forca (...) Quero ajudar (...) Estou protegendo vocês" da tal "forca". Também para Obama, democratas seriam em tudo iguais aos "desavergonhados eurofóbicos" de Toynbee. Nas duas versões, os operadores financeiros empresariais internacionais são os verdadeiros heróis; e o público que se oponha ao que eles fazem não passa de leva de idiotas perigosos que têm de ser controlados.

Recente artigo de Toynbee, do dia 12 de outubro, sobre a integração entre europeus pró-adesão-à-UE e europeus pró-mega-empresas discute a resistência, na opinião pública, contra o mais recente esforço do deputado britânico Alan Johnson, pró-UE, para promover a tal 'parceria' TTIP de Obama:

"A Parceria Transatlântica para Comércio e Investimento (Transatlantic Trade and Investment Partnership, TTIP) é outra linha vermelha para alguns da esquerda. Johnson acaba de visitar Bruxelas e está convencido de que nunca haverá tribunais comerciais secretos, e de que outros países, com setores públicos maiores que o inglês [p. ex., França, Dinamarca, Suécia] jamais permitirão que os serviços públicos europeus sejam capturados por empresas dos EUA".

Johnson é ex-membro do Gabinete do governo do primeiro-ministro Tony Blair – de fato, foi secretário da Saúde e também secretário da Educação; é pois sujeito que sabe de muitas coisas sobre o vastíssimo patrimônio a ser privatizado, se e quando, por exemplo, o Serviço Nacional de Saúde Pública da Grã-Bretanha vier a ser destripado e vendido em liquidação a empresas transnacionais. – Agora, Johnson dedica-se a argumentar que, sabe-se lá como, o presidente dos EUA só assinará essa 'parceria' TTIP porque o cérebro e o coração da coisa (que estão congelados dentro do corpo, e só voltarão a funcionar depois que se impuserem regulações democráticas às empresas internacionais) foram arrancados; e a coisa só tem braços e pernas (com uma bexiga legal associada). Para Toynbee,

"[Mas] há alarme no ar entre pró-europeus de todos os tipos. Longe vão as pressuposições complacentes de que o status quo sempre vence referendos, de que o medo do desconhecido supera a novidade, ou de que o dinheiro sempre derrota os ideais. O vento parece estar soprando para mar alto, com claras mudanças nas tendências de opinião. Por mais que tentem esconder o óbvio, o crescimento hoje de um novo modelo conservador, que é simultaneamente contra a parceria TTIP e contra a União Europeia, é o retrato de um establishment que reage contra qualquer mudança. Aí estão o Big business, as grandes lojas, easyJet, as universidades e a polícia. O prospecto da Escócia separada ou a situação no Norte da Irlanda com certeza fazem, de sair da UE, a opção de mais alto risco. E quanto à Rússia? Será que a autopreservação e o bom-senso econômico farão prevalecer o establishment?"

Se a verborragia da moça vem tão carregada de pressupostos, que nem sobra espaço para demonstrar a validade de qualquer deles (por exemplo, o pressuposto de que a 'parceria' TTIP seria basicamente benigna, e de que a UE não foi concebida por fascistas), é porque os pressupostos dela são falsos, e porque competência não é requisito básico para o sucesso, na cultura na qual ela opera.

Na Grã-Bretanha, o número de famílias na aristocracia e que servem à aristocracia é suficientemente pequeno para que qualquer pessoa que chegue a ser colunista nos grandes veículos da imprensa-empresa seja logo bem vista pela aristocracia; e tudo que os aristocratas exigem é que a tal pessoa apoie a agenda da aristocracia.

Polly Toynbee é neta do famoso historiador britânico Arnold Toynbee. A perspectiva dela no assunto das 'parcerias' de Obama parece estar exatamente de acordo com a das grandes empresas britânicas. É o que basta para que ela ganhe uma coluna no Guardian.

Todos os jornais nacionais britânicos são hoje de fato verdadeiros guardiões dessa mesma pequena aristocracia nacional – ou, no mínimo, de alguma de suas facções, as quais, todas, se unem às demais contra o interesse público –, e existem para proteger aquela aristocracia contra o interesse público (porque existem para enganar a opinião pública, como fazem colunistas como Polly Toynbee).

Assim sendo, ela lida apenas muito superficialmente das objeções, ("Johnson acaba de visitar Bruxelas e está convencido de que nunca haverá tribunais comerciais secretos, e de que outros países, com setores públicos maiores que o inglês [p. ex., França, Dinamarca, Suécia] jamais permitirão que os serviços públicos europeus sejam capturados por empresas dos EUA", como escreveu no Guardian). Mas... como ela sabe disso? Ora, ela não sabe, nem está interessada em saber. E todos esses problemas reais são simplesmente varridos para longe, para que ela possa manifestar a esperança de que "o fogo divino incendeie aqueles que [como Alan Johnson] tentam convencer o próprio lado".

Afinal o público tem de ser comandado. Essa gentinha é tão indisciplinada, tsc-tsc!!*****

[1] Historiador e jornalista, Eric Zuesse é autor, recentemente, de They’re Not Even Close: The Democratic vs. Republican Economic Records, 1910-2010, e de CHRIST’S VENTRILOQUISTS: The Event that Created Christianity.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Iraque Ano Zero: Como destruir um país


O filme mostra as consequências dessa invasão americana no dia-a-dia. Foi o silêncio mais denso que experimentei na vida ao sair de uma sala de cinema. https://youtu.be/QEXvk8mT4uU

Léa Maria Aarão Reis* - Carta Maior

A penúltima imagem seguida da noite da tela negra e de um tiro seco, no filme do monumental documentário de quase seis horas (dividido em duas partes), Terra Natal/Iraque ano Zero: Antes da Queda e Depois da Batalha, do cineasta franco-iraquiano Abbas Fahdel, é um soco no rosto do espectador. Tão violenta a situação filmada, que o diretor, depois daquele instante trágico, durante dez anos não conseguiu tocar no material com o qual filmou a sua própria família, em Bagdá, a partir de fevereiro de 2000.

Agora, depois de recusado por exibidores e produtores europeus pela sua duração fora dos padrões comerciais, o filme de Fahdel inicia, enfim, um circuito de apresentações em festivais. Em Tribeca, em Nyon, na Suiça, Locarno e em três sessões, na Mostra Fronteiras, no Festival do Rio, este mês. Homeland está sendo mostrado também no New York Film Festival. Na primavera de 2016 estreia na França com distribuição da produtora árabe Nour.

No Festival de Tribeca foi recebido como “documentário fundamental para se compreender o Oriente Médio do passado e do presente.%u20B Não é preciso mostrar uma vez mais o que a gigantesca máquina de guerra norte-americana é capaz de fazer. Para isso existe o jornalismo, as séries de televisão e os filmes de Brian de Palma, Kathryn Bigelow e Clint Eastwood que parecem frívolos diante de Terra Natal,” escreveu o crítico Victor Guimarães, durante o Festival de Nyon.

Sem narração em off nem comentários de qualquer espécie, até para preservar a segurança familiar, a primeira parte, Antes da Queda, antecede a invasão americana. Foi realizada durante a censura feroz da ditadura de Saddam Hussein. As imagens dessas crônicas familiares de Fahdel têm uma força tal que levam o espectador a acompanhar, escorregando para ela até desapercebido, a vida cotidiana sem maquilagem e quase nada conhecida, de uma família - a do diretor - de classe média, da capital do Iraque, culta, educada, bem posta, de intelectuais, profissionais liberais, moças e rapazes estudantes universitários, originada da cidade de Hit, cerca de 150 quilômetros de Bagdá, à beira do Eufrates – ocupada atualmente pelo exército do Estado Islâmico.

Abbas Fahdel aposta na alegria de viver, nessa primeira parte, apesar da vida difícil, e rejeita o sentimentalismo. Não há uma nota musical na trilha sonora que seja externa à cena. Tudo é aparentemente tranquilizador na confortável casa com chão forrado de tapetes. As mulheres trabalham na cozinha, o fogareiro no meio da sala aquece, a televisão ligada (e censurada) nos seguidos discursos ridículos de Saddam. O terraço árabe, o pomar do vizinho, a sombra das macieiras, a placidez. Mas os takes insistentes no relógio de mesa parecem lembrar que o tempo está se esgotando para mais uma guerra começar, depois das guerras do Irã e do Golfo – é fevereiro de 2002.


Um dos sobrinhos de Fahdel assume o protagonismo. Menino de 12 anos, carismático, perspicaz e inteligente, amadurecido antes do tempo, Haydar será um fio condutor, no filme, de várias situações apresentadas: na feira, no mercado, no sebo de livros antigos, nas férias com os colegas em Hit. A nova guerra que está por vir não assusta. ”Guerra é o nosso destino,” diz um professor cujo parco salário de 15 dólares em escolas na capital o faz retornar para trabalhar na propriedade da família, em Hit.

Lá, galos cantam nos jardins e os meninos brincam no Tigre. Judeus convertidos ao islamismo na década dos anos 80 são entrevistados. Outros, comunistas declarados, também. “A vida era melhor antes do petróleo”, diz um. “O embargo (N.R. econômico) já uma guerra,” diz outro, comentando a falta de medicamentos, o racionamento de alimentos e os estoques de pão e cestas básicas distribuídas pelo governo que começam a serem providenciados (mais uma vez) pelas famílias.

Um comunista, na segunda parte, lembra: Saddam converteu o povo iraquiano em uma multidão de esquizofrênicos. A censura fazia com que a pessoa fosse uma no trabalho e outra em casa; uma pessoa por fora e outra por dentro, diz ele.

Antes da queda, no entanto, as crianças falam, com naturalidade, sobre guerras, bombas e mísseis.

Em Depois da Batalha (que não houve) da capital e da invasão americana não há mais, é claro, militantes do partido Baath, nos bairros, percorrendo regularmente as residências para fiscalizar o retrato de Sadam pendurado na sala. As ruínas estão por toda parte. Vê-se prédios públicos incendiados depois de bombardeados; um deles, os estúdios do antes avançado cinema iraquiano, com todos os seus arquivos. “Pode-se vingar de um regime político, mas não de uma cultura; e transformar a memória de um povo em pó,” diz, desolado, um parente de Abbas.

Os americanos chegaram, e o filme mostra as consequências dessa invasão no dia-a-dia dos personagens. A poderosa crônica do cotidiano do Iraque mostra a tragédia do povo e ganha momentos mais intensos.

Um grupo de garotos mostra um companheiro com as pernas atrofiadas, que seria alvo do deboche de soldados americanos. O irmão do cineasta explica que a guerra criou um exército de saqueadores, sempre dispostos a agir no imenso caos da violência cotidiana da cidade dos ladrões e da dilapidação sem trégua. Todos devem se armar e guardar munição em casa para tentar garantir a segurança familiar. Não há polícia nem ao menos guardas para ordenar o salve-se quem puder do trânsito. As moças não saem de casa, sozinhas, porque correm o risco permanente de estupro. Se tudo mudou é apenas para continuar igual. A ameaça que antes se dirigia aos adversários do governo anterior, baathista, persiste agora sobre os acusados (muitos, injustamente) de terem pertencido ao partido de Saddam, e estão condenados ao desemprego permanente e ao desespero.

Um homem muito pobre, revoltado, recolhendo lixo em uma carreta, se pergunta por que os soldados sempre apontam suas armas, gratuitamente, contra ele. E se antes eram as valas comuns da ditadura, depois da invasão, é a bala que mata um jovem carregando a peça sobressalente de um automóvel para ajudar o vizinho. Um crime que nunca será investigado porque não há ninguém para investigar.

“Um documentário meu, Back to Babylon, foi exibido em um canal de TV francês. Uma indagação perturbadora, no artigo publicado em jornal, sobre o filme, me deixou abalado,” diz Abbas Fahdel. ”Seremos os últimos a ver aquelas pessoas vivas?" perguntava o autor do texto. A pergunta me chocou. A idéia de que os membros da minha família, meus amigos e as pessoas desconhecidas que eu filmei poderiam não sobreviver à próxima guerra era quase insuportável para mim. Sob a pressão de certa superstição não admitida, decidi voltar ao Iraque e continuar a filmar a parte dois. Fui levado pela esperança, também supersticiosa, de que poderia salvá-los do perigo iminente. Infelizmente, a espiral de violência que tomou o país, em breve mergulharia a minha família no luto.”

O sobrinho de Fahdel, o menino Haydar, de 12 anos, foi alvejado e morto por uma bala perdida, dentro do carro que atravessava uma avenida de Bagdá. Em sua companhia estavam o tio e o próprio Fahdel com a sua câmera na mão. Terra natal/Depois da Batalha termina com o grito de Haydar. Em seguida, a tela negra.

“Foi o silêncio mais denso que experimentei na vida ao sair de uma sala de cinema,” escreveu um crítico suíço. Mesma sensação nós experimentamos, deixando o cinema do Instituto Moreira Salles, na Gávea, no Rio de Janeiro.

(Abbas Fahdel é autor dos docs Back to Babylon e We Iraquis. Nasceu na região da antiga Babilônia e vive na França desde os 18 anos. Estudou cinema em Paris com Jean Rouch e mora na cidade com a mulher e a filha. Com o seu passaporte europeu conseguiu entrar e sair do Iraque com o material filmado de Homeland/Iraq Year Zero - e com a ajuda de amigos da capital iraquiana e de um diplomata francês. Atualmente filma Bagdah.)

*Jornalista.

Analista norte-americano: EUA precisam desesperadamente de um líder como Vladimir Putin


O analista político norte-americano Caleb Maupin afirmou que os EUA precisam desesperadamente de um líder do calibre de Vladimir Putin e traçou um paralelo entre o russo e os ex-presidentes de seu país Abraham Lincoln e Franklin Roosevelt.

Caleb conta, em New Eastern Outlook, que o desmantelamento da URSS, orquestrada pelos fantoches pró-ocidentais de Wall Street, no regime de Boris Yeltsin, teve conseqüências catastróficas para a Rússia e para os países vizinhos. Ele conta que ficaram oscilando à beira do caos econômico e político. “Este foi o momento em que Vladimir Putin apareceu para liderar o país.”

“Putin é absolutamente russo, e seu estilo de liderança lembra a história vibrante e original de seu país. No entanto, alguns aspectos-chaves de seu estilo de liderança não são estranhas para os EUA. Dois líderes, Abraham Lincoln e Franklin Delano Roosevelt, poderiam certamente serem descritos como ‘putinistas’, se tal coisa como o ‘Putinismo’ existe”, frisa Maupin.

Com efeito, durante os primeiros oito anos da administração Putin, a ordem foi completamente restaurada, o salário médio mais do que duplicou, o desemprego caiu drasticamente, enquanto a produção industrial aumentou em 125%.

Além disso, “entre 2007 e 2014, o Produto Interno Bruto da Rússia aumentou de US$ 764 bilhões para US$ 2,097 trilhões”, observou o analista. Em grande parte, com o mesmo espírito, em meados de 1800, Abraham Lincoln mobilizou o país para lutar contra os senhores de escravos e restaurar a ordem econômica e política.

“Tanto os oligarcas russos que se opõem a Putin e os senhores de escravos que se opuseram a Lincoln tinham um poderoso aliado: Wall Street”, comenta Caleb Maupin.


Como o líder russo, explica o analista, Abraham Lincoln não era um marxista ou um socialista, mas um grande crítico dos capitalistas que se recusaram e não estavam dispostos a arcar com o ônus da responsabilidade social e financeira. Por outro lado, o estilo de gestão de Putin tem muito em comum com a de Franklin Delano Roosevelt, o presidente 32 dos EUA.

“Em 1933, Franklin Delano Roosevelt assumiu o cargo, bem como Putin, com o seu país em um estado de ruína econômica, o recuperando dos efeitos da quebra de 1929 do mercado de ações. Como Putin, Roosevelt mobilizou o setor governamental para resgatar a economia. Roosevelt aprovou a Lei Glass-Steagall, impedindo que os banqueiros jogassem com o dinheiro de outras pessoas. Roosevelt começou a tributar fortemente as pessoas mais ricas dos EUA, usando os fundos para contratar os desempregados”, enfatiza Maupin.

“Putin enrolou Obama como sushi”, diz candidato americano

Assim como Roosevelt e Lincoln, Putin está sob fortes críticas da plutocracia ocidental, sendo ao mesmo tempo muito popular entre seu povo. Atualmente, o presidente russo está liderando a luta contra o Estado islâmico na Síria. No entanto, o envolvimento da Rússia no país árabe não é suportado pela elite política de Washington, que vem travando sua guerra “perpétua” contra o terror no Oriente Médio por décadas.

Segundo Maupin, a realidade é que a classe dominante dos EUA não tem interesse em derrotar o Estado Islâmico. “O verdadeiro objetivo da política norte-americana na Síria, desde muito antes de 2011, tem sido sempre o de derrubar a República Árabe da Síria, um país estável, anti-imperialista e com uma economia fortemente planejada.”

O Estado Islâmico surgiu como uma facção terrorista antigoverno que foi financiado pelos EUA e pelas monarquias do Golfo, explica o analista norte-americano. Os ataques aéreos de Washington contra o grupo jihadista foram “praticamente sem sentido” e completamente ineficazes, avalia Maupin. Além disso, eles foram lançados sem a permissão do governo sírio, o único representante legítimo do povo sírio.

Em contraste, a Rússia entrou em cena em resposta ao pedido oficial de Damasco e, portanto, o seu envolvimento nos assuntos sírios não pode ser chamado de “intervenção”. A Força Aérea da Rússia está ajudando o Exército sírio em batalhas contra terroristas estrangeiros, “importados para o seu país com a ajuda de Arábia Saudita, Jordânia, Turquia, Qatar, França, Grã-Bretanha e os EUA”, frisa o analista.

“Putin é um líder que está reunindo o mundo em torno da batalha para melhorar a vida das pessoas, derrotar o terrorismo e levantar-se diante de tanto mal, a elite rica bancária global”, explica Maupin.

Essas qualidades de liderança demonstrada por Vladimir Putin “não são estrangeiras” para os EUA, observou o jornalista, acrescentando que ele espera que essas qualidades emerjam na América de alguma forma, mais uma vez. “Outro líder do calibre de Roosevelt, Lincoln e Putin é desesperadamente necessário nos EUA.”

Sputniknews

Candidatos republicanos polemizan sobre actuación de George Bush en el 11-S


Jeb Bush (izqrda.) y Donald Trump (drcha.), precandidatos republicanos a la Presidencia de EE.UU.

Suben de tono las discrepancias entre los precandidatos republicanos a la Presidencia de EE.UU. sobre la gestión del expresidente George W. Bush (2001-2009) en los atentados del 11 de septiembre de 2001.

El aspirante Jeb Bush respondió el domingo a las críticas lanzadas por su rival Donald Trump sobre su hermano George, aduciendo no entender el porqué de las mismas.

“Mirad, mi hermano respondió a una crisis, y lo hizo como se desea que lo haga un presidente”, así reaccionó Jeb Bush a las declaraciones de Trump durante una entrevista concedida a la cadena de televisión estadounidense CNN.

El precandidato presidencial aseguró que la mayoría de los estadounidenses coincide con él en cuanto a su hermano y a su actuación en momentos de crisis, y por ello adujo que no entendía por qué Trump había sacado el tema.


En su entrevista, Bush insistió en que las palabras del multimillonario cuestionan la credibilidad del mismo y su capacidad para manejar la política exterior o las armas nucleares del país.

No obstante, Trump respondió inmediatamente a estos comentarios, asegurando que, si bien “no culpa” al expresidente de dichos ataques, cree que él no protegió apropiadamente al país.

“Jeb ha dicho: ‘Estábamos protegidos con mi hermano’. Bueno, el World Trade Center (en Nueva York) se derrumbó (…) el 11-S fue uno de los peores días en la historia del país”, adujo el controvertido precandidato presidencial en una entrevista con la cadena televisiva norteamericana FOX.

El 11 de septiembre de 2001, EE.UU. sufrió un ataque terrorista sin precedentes: cuatro aviones de bandera estadounidense secuestrados en aquella jornada impactaron contra importantes edificios, entre ellos: el World Trade Center, en la ciudad nororiental de Nueva York; y el Pentágono.

A pesar de sus exabruptos, Trump mantiene el liderazgo de los precandidatos republicanos a la presidencia de 2016; según el nuevo sondeo de la cadena estadounidense CBS News, publicado el 11 de octubre, el magnate lidera las encuestas con el 27 por ciento de apoyo.

zss/nii/HispanTv